BISC Investimento Social Corporativo | 08/09/2025

Co-investimento amplia e compartilha impacto do investimento social

Comunitas reúne Rede BISC para discutir estratégias de co-investimento e os caminhos para potencializar impacto e fortalecer o ecossistema social

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Na tarde da última sexta (05), a Comunitas realizou mais uma edição do Grupo de Debates, reunindo empresas, fundações e institutos parceiros para discutir estratégias de co-investimento e arranjos colaborativos entre empresas no investimento social. O encontro abordou os desafios, as oportunidades e as lições aprendidas na construção de colaborações estratégicas entre empresas, institutos e fundações empresariais, com foco em aumentar a eficiência, o impacto e a escala das iniciativas.

Realizado no auditório da Comunitas, o evento reuniu cerca de 20 participantes entre membros da Rede BISC, incluindo representantes do Instituto Lojas Renner, Instituto Coca Cola, B3 Social, Gerdau, Fundação Cosan, Petrobras, Instituto C&A, Vale, Instituto Cyrela, Fundação Cargill, Fundação Sicredi e Cartão de Todos. Durante o encontro, eles compartilharam cases, trocaram reflexões críticas e discutiram desafios comuns enfrentados por suas instituições.

O debate destacou a importância estratégica do co-investimento e da construção de parcerias intersetoriais para ampliar a escala e o impacto do investimento social privado. Ficou evidente que, embora a colaboração traga complexidades – como a governança compartilhada, o alinhamento de expectativas e a conciliação de marcas -, ela é o caminho necessário para enfrentar problemas sociais e ambientais que nenhuma organização conseguiria resolver sozinha.

O encontro teve como ponto de partida a apresentação de cases práticos de institutos e fundações empresariais pioneiros nessa agenda. Ana Tácite, do Instituto Coca-Cola Brasil, e Raísa Martins, do Instituto Lojas Renner, compartilharam suas jornadas, estratégias e lições aprendidas ao priorizar o co-investimento como premissa central de atuação, desde iniciativas de impacto coletivo até a articulação direta com outras empresas, inclusive concorrentes.

A troca abordou os obstáculos naturais de arranjos de colaboração e os caminhos para sua superação, tornando as parcerias uma alavanca para gerar sinergia, eficiência e fortalecimento da autonomia de projetos sociais e de organizações da sociedade civil.

Pensar a governança e a gestão: os pilares para parcerias de sucesso

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Um dos consensos mais fortes do encontro foi que a gestão da colaboração é fator decisivo para o êxito de qualquer iniciativa conjunta. Foi defendido que as parcerias não devem ser vistas como um fim em si mesmas, mas como um meio para ampliar impacto. Para isso, não basta entusiasmo, é necessário dedicar tempo, clareza e recursos à coordenação, reconhecendo que a governança compartilhada exige mais esforço do que a atuação isolada.

A experiência do Instituto Lojas Renner com a Coalizão de Moda Justa e Sustentável, articulada pela Aliança Empreendedora, foi citada como exemplo positivo. Nesse caso, a presença de uma organização intermediária neutra, com credibilidade e capacidade técnica para gerir múltiplos atores, foi fundamental para que ocorresse colaboração com empresas concorrentes – como o Instituto C&A -, superando barreiras de marca e encontrando sinergias em uma agenda comum.

Mas nem todos os arranjos fluem com a mesma naturalidade. Raísa Martins relatou um caso em que a entrada de um parceiro em um projeto gerou atraso de 7 meses nos fluxos de trabalho, devido às diferenças entre o compliance corporativo e a maior agilidade de um instituto. O episódio mostrou que o fit cultural e operacional entre parceiros pode ser tão determinante quanto o alinhamento temático.

“Às vezes, a colaboração não funciona, eu descobri isso na prática”, resumiu um dos participantes, reforçando que a transparência sobre limites, papéis e expectativas precisa ser estabelecida desde o início para reduzir riscos e frustrações ao longo do processo.

Para além do cheque: co-investimento como estratégia de fortalecimento ecossistêmico

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Outro ponto central foi o entendimento de que co-investir é muito mais do que somar recursos. Para Ana Tácite, do Instituto Coca-Cola Brasil, a colaboração deve ampliar o volume de investimentos e multiplicar impacto, e não justificar a redução do esforço individual das empresas. “O desafio é co-investir para fazer mais, e não para fazer menos”, destacou.

A agenda do co-investimento também foi apontada como estratégia poderosa para promover a chamada saída qualificada do financiador, sendo uma estratégia que pode ser adotada para fortalecer a autonomia das organizações sociais apoiadas. O Instituto Lojas Renner adotou uma política clara: após três anos de apoio exclusivo, as organizações precisam buscar outros financiadores. Para apoiá-las, contratou uma consultoria de desenvolvimento institucional, reforçando competências de captação e sustentabilidade financeira.

Embora essa transição possa gerar desconfortos iniciais, a lógica é construir um ecossistema mais resiliente e menos dependente, capaz de sustentar resultados sociais de forma duradoura.

O futuro da colaboração: tendências e provocações finais

O debate também lançou olhares para o futuro. Uma das tendências promissoras é a atuação de associações setoriais, que têm se mostrado plataformas férteis para agendas pré-competitivas, a exemplo da ABVTEX no setor de moda e vestuário. Desafios comuns às empresas como a escassez de mão de obra qualificada, por exemplo, podem ser endereçadas por soluções sociais a partir da inteligência e expertise de seus times de investimento social e arranjos colaborativos no ecossistema social se configuram como oportunidade para produção de impacto público.

A mensagem final foi de que, embora parcerias exijam esforço, negociação e confiança mútua, elas são indispensáveis para o futuro do investimento social privado. O desafio é avançar de arranjos pontuais para colaborações cada vez mais estratégicas, capazes de gerar impacto sistêmico e transformar realidades sociais de forma duradoura.

A Comunitas segue articulando e fortalecendo essa rede. Quer conhecer mais sobre nossos Grupos de Debates e oportunidades de colaboração? Acompanhe nossos canais e participe das próximas edições!

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