Comunitas Institucional, Modernização da Administração | 01/08/2025

Comunitas finaliza 6ª edição do programa de Formação Internacional

Com 28 horas de conteúdo programático, a iniciativa evidenciou como a tecnologia e a colaboração entre setores podem transformar políticas públicas e reduzir desigualdades

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Hoje (1º), a Comunitas finalizou a 6ª edição do seu programa de Formação Internacional. Ao longo de cinco dias, 24 lideranças públicas e privadas participaram de uma imersão no Reino Unido dedicada ao debate sobre transformação digital e inovação na gestão pública. Com atividades realizadas na Universidade de Cambridge e em Londres, o programa buscou ampliar o repertório técnico dos participantes e estimular o uso ético e inteligente de dados e tecnologias para enfrentar os desafios sociais do Brasil.

Ao longo da semana, os participantes dialogaram com mais de 20 especialistas das instituições parceiras do programa, aprofundando-se em temas como inteligência artificial, regulação para inovação, sustentabilidade urbana e transformação digital. Com uma programação que integrou teoria e prática, a formação incluiu visitas técnicas, debates, oficinas e estudos de caso baseados em evidências, totalizando cerca de 28 horas de conteúdo.

O último dia da formação foi dedicado a reflexões sobre o impacto da inteligência artificial na educação, no governo e na inovação urbana. Realizado em Londres, o encontro reuniu especialistas da University College London (UCL) e do London Office of Technology and Innovation (LOTI), e contou com discussões sobre os riscos e as oportunidades trazidas pela IA na formulação de políticas públicas.

Durante a manhã, a discussão se concentrou nos dilemas do uso da IA na educação e nos desafios para formar cidadãos críticos e criativos em um mundo cada vez mais digital. Foram debatidos temas como autoria, cognição, protagonismo estudantil e a importância de desenvolver habilidades como empatia, ética e pensamento crítico. A reflexão ultrapassou a dimensão técnica, abordando também o papel da filosofia, da autonomia e da formação de caráter diante das transformações educacionais.

A experiência reforçou a importância da governança de dados, da confiança pública e da colaboração entre diferentes níveis de governo.

Inteligência artificial na educação

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

A manhã começou com uma aula provocativa conduzida por Glenn Bezalel, professor de filosofia e religião na City of London School, que instigou os participantes a refletirem sobre o verdadeiro propósito da educação na era digital.

Bezalel levantou questões sobre o uso da IA nas escolas, alertando para os riscos da chamada “terceirização cognitiva”, quando estudantes recorrem à tecnologia para realizar tarefas sem desenvolver pensamento próprio. “Será que estamos alinhando os objetivos da educação com a forma como estamos usando a inteligência artificial?”, questionou. Segundo ele, a IA pode ser uma aliada do aprendizado, desde que usada para ampliar o raciocínio, e não para substituí-lo. “Criatividade, empatia e caráter são habilidades que a IA não pode copiar – e são justamente elas que precisamos cultivar”.

O debate envolveu as experiências de programas educacionais brasileiros voltados à autonomia estudantil, à prevenção da violência e à formação de cidadãos mais preparados para enfrentar os desafios sociais. Também foi discutida a importância de rever os métodos de avaliação, fomentar o aprendizado colaborativo e promover a formação contínua dos professores frente às novas exigências tecnológicas e éticas.

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Após o encontro com Bezalel, a comitiva foi recebida por autoridades da Prefeitura de Londres. O vice-prefeito para Meio Ambiente e Energia, Mete Coban, destacou as iniciativas da cidade para promover justiça climática, equidade territorial e inovação urbana. Ele relembrou sua infância no leste de Londres, onde enfrentou problemas de saúde devido à poluição, e celebrou os avanços recentes. “Implementamos um programa que reduziu em 53% os riscos ambientais, e hoje mais de 67% dos veículos em Londres já atendem aos padrões de qualidade do ar”, afirmou.

Para Coban, o sucesso da transição verde passa pela redistribuição dos riscos e benefícios da transformação ambiental. “As comunidades que menos contribuíram para a crise climática são justamente as mais afetadas. Nosso foco é apoiar essas pessoas”, completou. A cidade também aposta na inclusão digital e na articulação entre diferentes níveis de governo como estratégias para garantir uma transição justa.

London Office of Technology and Innovation (LOTI) 

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Durante a visita ao London Office of Technology and Innovation (LOTI), os participantes conheceram de perto a estrutura que coordena a inovação digital nos 32 distritos de Londres. Criado em 2019, o LOTI surgiu com o propósito de ajudar os governos locais a lidar coletivamente com desafios complexos, como inclusão digital, segurança pública, mudança climática e uso ético de dados. A iniciativa se destaca pela abordagem colaborativa e pelo baixo custo operacional – cada distrito investe cerca de £32 mil por ano, permitindo a construção de soluções compartilhadas que dificilmente seriam viáveis de forma isolada.

Com foco em conectividade, inovação e confiança pública, o LOTI vem ampliando a infraestrutura tecnológica de Londres, como a instalação de rede 5G em metrôs e o uso de sensores para combater mofo em residências. Além disso, promove o uso estratégico de dados, por exemplo, integrando informações de hospitais, delegacias e ambulâncias para apoiar políticas de prevenção ao crime. “A primeira coisa que percebemos é o descobrimento de dados. Aqui em Londres isso é muito difícil de identificar. Então fizemos uma biblioteca da Data of London para ajudar a solucionar isso”, explicou a gerente de projetos de dados da entidade. 

Outro destaque do trabalho do LOTI está no engajamento cidadão, com práticas que buscam garantir que a população esteja representada no processo de construção de políticas públicas. A responsável pelo design centrado no usuário ressaltou que o objetivo é aproximar o governo da diversidade real da cidade. “Queremos entender como toda a população se sente em relação às decisões do prefeito. Também estamos representando melhor as minorias, os imigrantes e os jovens desde que começamos o nosso projeto”.

A governança baseada em dados e a transparência também foram pontos centrais discutidos durante a visita. O grupo conheceu a ferramenta London Data Privacy List, que exige que novos projetos tecnológicos declarem como utilizam os dados dos cidadãos, promovendo mais confiança no processo de transformação digital.