Comunitas participa de série do Jornal Hoje sobre os desafios para modernizar o Estado brasileiro
A organização contribuiu para o debate sobre eficiência, transformação digital e planejamento de longo prazo diante das mudanças econômicas, demográficas e sociais do país

A Comunitas, por meio de sua presidente, Regina Esteves, participou da série especial do Jornal Hoje (TV Globo) sobre os desafios estruturais da economia brasileira. Exibida entre os dias 24 e 28, a série de cinco reportagens conectou temas frequentemente tratados de forma isolada, como o impacto do envelhecimento populacional na Previdência e no mercado de trabalho, a urgência de proteção social diante do crescimento da economia de plataformas (gig economy), a modernização do funcionalismo público e a necessidade de eficiência fiscal na gestão dos recursos do Estado.
A produção destacou a importância de uma visão de longo prazo, que ultrapasse ciclos eleitorais. Para enfrentar desafios estruturais, o Estado precisa combinar capacidade técnica, planejamento, avaliação, inovação e continuidade — pilares essenciais para transformar políticas públicas em resultados concretos para a população.
Nesse contexto, Regina enfatizou que a discussão deve ir além da questão do tamanho do Estado, focando na sua capacidade de adaptação e entrega. Para ela, a verdadeira eficiência está em definir com clareza as atribuições essenciais do setor público e modernizar seus processos. “Não é uma questão só de olhar o tamanho do Estado, mas as funções que são essenciais a ele. Elas estão sendo construídas de maneira eficiente?”, provocou.
A reflexão ocorre em um momento em que transformações demográficas, tecnológicas e econômicas exigem respostas cada vez mais ágeis da administração pública. Afinal, como adaptar estruturas estatais, concebidas no século passado, a uma sociedade que envelhece rapidamente, a um mercado de trabalho reconfigurado e a demandas sociais ainda mais complexas?
Um Estado diante de novas demandas

As primeiras reportagens da série abordaram transformações que já redefinem a relação entre o Estado e a sociedade, como as mudanças no mercado de trabalho, o avanço da informalidade e o envelhecimento populacional. Esses fenômenos trazem impactos diretos para a Previdência, para a rede de proteção social e para a organização dos serviços públicos.
Os dados apresentados no vespertino apontam que 1,7 milhão de pessoas trabalham por meio de plataformas digitais no país — das quais quase 62% não contribuem para o INSS. A transição demográfica acelera essa pressão: se em 2019 havia quatro trabalhadores ativos para cada idoso, a projeção para 2060 é de apenas 1,5 trabalhador por aposentado.
Esse cenário evidencia que as decisões tomadas hoje definirão a capacidade futura do Estado de financiar políticas públicas e responder às exigências de um mercado e de uma sociedade em rápida transformação.
Diferentes regras e o desafio da sustentabilidade

Outro ponto abordado na série foram as disparidades entre as regras previdenciárias de trabalhadores da iniciativa privada, servidores públicos, trabalhadores rurais e militares.
Os números apresentados mostram que, em 2025, as aposentadorias e pensões do funcionalismo federal custaram R$ 105 bilhões, frente a uma arrecadação de apenas R$ 42 bilhões em contribuições — gerando um rombo de R$ 63 bilhões que a União precisou cobrir.
A situação se repete em estados e municípios com regimes próprios de previdência. O déficit atual desses sistemas chega a R$ 155 bilhões, e as projeções indicam uma insustentabilidade financeira de R$ 3,7 trilhões nos próximos 75 anos para honrar os compromissos previdenciários.
Para além das estatísticas, esses dados evidenciam a urgência de uma gestão com visão de longo prazo, garantindo que o Estado permaneça sustentável e capaz de financiar seus serviços essenciais.
Eficiência não é apenas uma questão de tamanho

A discussão também abordou o dimensionamento da máquina pública, as disparidades salariais entre carreiras do funcionalismo público, a estabilidade, os chamados “penduricalhos” e as propostas de reforma administrativa.
De acordo com os dados apresentados, o Brasil destina cerca de 12% do PIB para o pagamento de servidores ativos nas três esferas de governo. Avaliações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que o país não possui um volume excessivo de funcionários públicos em relação ao tamanho da população, mas apontam o alto custo e a grande desigualdade interna da folha de pagamentos.
Para Regina Esteves, a busca por eficiência exige ir além do debate numérico. O ponto é avaliar se o Estado está estruturado para cumprir suas atribuições e responder às transformações digitais e sociais do país. “Como é que estamos montando hoje uma estrutura de novas vagas e de novos concursos se não estamos preparados para considerar que os serviços públicos estarão cada vez mais digitalizados?”, questionou a executiva.
A modernização do setor público passa, portanto, pela capacidade de atrair e reter talentos com as competências necessárias para um ambiente tecnológico. Nesse cenário, a gestão estratégica de pessoas se consolida como uma dimensão indispensável para o futuro da administração pública.
Planejamento para além dos governos

Por fim, a discussão abordou a importância do planejamento de médio e longo prazo para a continuidade das políticas públicas.
Segundo Regina, planos de governo podem reunir diferentes propostas e programas, mas isso não garante que haverá continuidade ou sustentabilidade das ações ao longo do tempo. “Se a gente tiver sempre essa visão de curto prazo, é isso: vem o candidato, o gestor, monta o programa, o outro vem e desmonta”.
A eficiência pública, nesse contexto, não se resume à redução de despesas. Ela também envolve transformar recursos, estruturas e conhecimento técnico em serviços de qualidade para a população.
Assista à série especial do Jornal Hoje sobre os desafios estruturais da economia brasileira:
Reportagem 1
Reportagem 2
Reportagem 3
Reportagem 4
Reportagem 5
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