BISC Institucional, Investimento Social Corporativo | 10/09/2026

Novo caderno temático do BISC debate sustentabilidade financeira das OSCs

Publicação reúne aprendizados práticos para investidores sociais que buscam superar a lógica de curto prazo e construir legado por meio do fortalecimento do tecido social

A Comunitas acaba de lançar o quarto caderno temático do BISC, “Sustentabilidade financeira e desenvolvimento institucional das OSCs”. A publicação dá continuidade à proposta de sistematizar discussões estratégicas do investimento social corporativo (ISC), compartilhando aprendizados da Rede BISC que ajudam a fortalecer as práticas do setor.

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Desenvolvido em parceria com o Instituto ACP (IACP) — referência há mais de sete anos no fortalecimento de organizações da sociedade civil —, o material reúne reflexões para que investidores sociais contribuam com a criação de OSCs mais autônomas, resilientes e preparadas para o longo prazo. A colaboração traz experiências práticas sobre sustentabilidade financeira, desenvolvimento institucional e estratégias de saída qualificada.

“Os cadernos traduzem a riqueza dos debates da Rede BISC em conhecimento acessível e experiências replicáveis. São conteúdos que ajudam empresas e organizações a se anteciparem a tendências e a tomarem decisões mais estratégicas”, destaca Patricia Loyola, diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas.

Sustentabilidade financeira e fortalecimento das OSCs ampliam o impacto do investimento social

O documento mostra que fortalecer as organizações da sociedade civil é também uma forma de ampliar a efetividade do investimento social corporativo (ISC). Com atuação próxima às comunidades e aos territórios, as OSCs ajudam a conectar empresas, causas e diferentes atores em torno de soluções para desafios sociais.

Apesar disso, a Pesquisa BISC 2026 revela que o apoio ao desenvolvimento institucional (DI) ainda representa uma parcela pequena dos investimentos. Em 2025, a mediana destinada pela Rede BISC a essa finalidade foi de R$ 975 mil por grupo empresarial, o equivalente a apenas 5,7% do ISC total. A pesquisa também mostra que a maioria das empresas ainda não possui planos formais para a transição e o encerramento do apoio às organizações, embora esse seja um tema recorrente na relação com as OSCs.

Entre os principais desafios estão os contratos de curto prazo, a restrição dos recursos a projetos específicos, a burocracia na prestação de contas e as exigências de compliance, que podem dificultar investimentos voltados ao fortalecimento da estrutura e da gestão das organizações.

Para apresentar caminhos práticos, a publicação reúne experiências de empresas da Rede BISC:

  • B3 Social: adoção de estratégias de saída qualificada, com aviso prévio de 12 a 24 meses, redução gradual dos aportes e suporte técnico em gestão e captação.
  • Instituto Neoenergia: criação dos Núcleos de Acompanhamento de Projetos (NAPs), voltados à formação e ao intercâmbio contínuo entre OSCs do interior apoiadas por meio de leis de incentivo.
  • Instituto Lojas Renner: adaptação das ferramentas de apoio aos diferentes níveis de maturidade das organizações.

Fortalecimento de redes e geração de valor compartilhado

A publicação também aborda como o investimento social pode gerar valor compartilhado ao aproximar os objetivos das empresas das necessidades das comunidades. Nessa perspectiva, OSCs fortalecidas podem contribuir para conectar investidores, organizações locais e poder público na construção de soluções mais duradouras.

A partir dessas discussões, o material reúne recomendações para investidores sociais, como ampliar a flexibilidade no uso dos recursos, considerar os diferentes contextos e níveis de maturidade das OSCs, estimular redes de colaboração e estabelecer ciclos de financiamento com prazos claros. A definição antecipada sobre o encerramento dos apoios também é apontada como importante para que as organizações possam se preparar e buscar novas fontes de sustentabilidade.

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