BISC 07/02/2025

A inclusão de jovens no mercado de trabalho e a importância dos programas de formação corporativos

Diversas empresas vêm investindo em formação técnica para moldar talentos e cumprir seu papel social, mas desafios como falta de capacitação e experiência exigem estratégias inovadoras e parcerias eficazes

Embora a taxa de desemprego tenha caído para 6,1% no trimestre encerrado em novembro, atingindo o menor nível da série histórica, as oportunidades de trabalho ainda não se distribuem de forma equitativa, especialmente para os jovens em busca do primeiro emprego.

A taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos atingiu 14,2% no primeiro trimestre de 2024, evidenciando a dificuldade de conciliar trabalho e estudo. O ingresso no mercado de trabalho é ainda mais difícil para jovens de 15 a 17 anos, enquanto aqueles com idade entre 25 e 29 anos apresentam maior inserção no mercado formal. Além disso, existem diversos fatores que agravam a situação, impactando negativamente as perspectivas de futuro dos jovens, especialmente aqueles de contextos socioeconômicos mais vulneráveis.

Esse grupo tem encontrado maiores dificuldades para entrar no mercado de trabalho, o que gera consequências. A limitada participação dos jovens é um dos desafios mais relevantes para o desenvolvimento econômico, pois a inatividade dessa mão de obra com grande potencial pode gerar impactos negativos tanto na vida dos indivíduos quanto na economia do país em que vivem.

Diante desse cenário, os programas corporativos de formação técnico-profissional voltados para essa parcela da população desempenham um papel fundamental na inserção dos jovens no mercado de trabalho, especialmente para aqueles em busca da primeira experiência profissional. Empresas de diversos setores têm investido nessas iniciativas, reconhecendo sua importância tanto para o desenvolvimento de novos talentos quanto para o fortalecimento do seu impacto social.

Uma ponte para o primeiro emprego

Jovens em formação profissional. Crédito da Imagem: Fundação da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL)

Empresas e jovens encontram em programas de formação um terreno fértil para o desenvolvimento. Para as empresas, a iniciativa representa a chance de moldar profissionais alinhados às suas necessidades, além de fortalecer sua imagem como socialmente responsáveis, em conformidade com os princípios ESG. Para os jovens, é a porta de entrada para o mercado de trabalho, onde podem desenvolver habilidades, adquirir experiência e construir uma carreira promissora.

Essa parceria encontra respaldo legal na Lei do Aprendizado (Lei nº 10.097/2000), um marco regulatório que incentiva a contratação de jovens aprendizes por empresas de médio e grande porte. A lei estabelece que uma porcentagem das vagas seja destinada a jovens de 14 a 24 anos, com jornada de trabalho reduzida e salário proporcional.

O programa Jovem Aprendiz, previsto na Lei do Aprendizado, é um dos principais caminhos para a inserção de jovens no mercado de trabalho. Ao participar do programa, o jovem aprende na prática, dentro de uma empresa, e frequenta um curso de formação profissional. Essa combinação de teoria e prática acelera o aprendizado e prepara o jovem para o mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que contribui para que as empresas cumpram com políticas públicas que visam a inclusão produtiva da juventude.

Atualmente, as empresas brasileiras têm capacidade para absorver aproximadamente 1 milhão de jovens aprendizes. No entanto, apesar do marco legal vigente, de acordo com o levantamento mais recente do Ministério do Trabalho e Emprego, pouco mais de 610 mil vagas estão efetivamente ocupadas, evidenciando um potencial ainda não totalmente explorado.

Alinhando as necessidades do mercado com oportunidades 

A dificuldade das empresas em preencher todas as vagas do programa Jovem Aprendiz é um desafio complexo, enraizado em questões estruturais e socioeconômicas. Um dos principais entraves é a falta de capacitação profissional adequada. O acesso limitado a programas de educação e qualificação, aliado à escassez de recursos tecnológicos, como computadores e internet banda larga, agrava essa situação. Segundo o Banco Mundial, essa lacuna não apenas dificulta a inserção desses jovens no mercado de trabalho, mas também perpetua as desigualdades sociais, reforçando barreiras que limitam suas oportunidades de crescimento profissional e econômico.

Outro fator é a desconexão entre a formação acadêmica oferecida aos jovens e as reais demandas do mercado de trabalho. Essa disparidade se evidencia na falta de profissionais qualificados em áreas como a Tecnologia da Informação (TI), onde o déficit de talentos reflete a necessidade de um alinhamento mais preciso entre o que se aprende nas escolas e as habilidades exigidas pelas empresas.

Por fim, a inexperiência é outro desafio a ser superado. Muitos jovens encontram dificuldades em ingressar no mercado de trabalho sem experiência prévia, o que leva as empresas a hesitarem em contratá-los para os programas de Jovem Aprendiz, que visam justamente oferecer a primeira oportunidade profissional.

Estratégias de ampliação dos programas de formação profissional

De acordo com o BISC 2024, 62% das empresas que investem em projetos sociais destinam recursos para formação técnica e profissionalizante de jovens, reforçando o foco na inclusão produtiva e no desenvolvimento econômico. Programas de geração de trabalho e renda também ganham destaque, evidenciando o interesse corporativo em qualificar e inserir jovens no mercado de trabalho. 

Fonte: BISC 2024

Embora esses investimentos tenham contribuído para a redução do desemprego juvenil e a formação de mão de obra qualificada para setores estratégicos, como tecnologia e indústria, os desafios ainda persistem, como a necessidade de alinhar a capacitação às demandas do mercado e ampliar o acesso em regiões remotas.

O gráfico abaixo apresenta a evolução dos investimentos em capacitação profissional e empregabilidade ao longo dos anos, com base em dados do BISC. Ele revela um cenário de flutuação, com períodos de redução nos valores destinados a projetos de formação técnica e profissionalizante, destacando os desafios enfrentados para manter o financiamento contínuo dessas iniciativas.

Para superar essas barreiras, empresas têm adotado diversas estratégias, conforme discutido no Grupo de Debates. O Instituto Coca-Cola, por exemplo, utiliza o WhatsApp e aplicativos leves para alcançar jovens com acesso limitado à tecnologia, enquanto o Instituto Votorantim prioriza o acompanhamento contínuo e a expansão de oportunidades em áreas de difícil acesso

Participantes do programa Coletivo Jovem, do Instituto Coca Cola

Além disso, a formação em áreas de alta demanda, como TI, tem sido uma aposta para preparar os jovens para o futuro do trabalho. O debate também destacou a importância de monitoramento eficaz, colaboração entre atores e gestão do conhecimento para garantir a sustentabilidade e o impacto de longo prazo dessas iniciativas.

Uma estratégia cada vez mais adotada é a formalização de parcerias entre empresas e instituições de ensino para capacitar jovens em situação de vulnerabilidade. Grandes organizações, como o BMW Group Brasil e a ABBC, têm investido em programas que oferecem qualificação profissional e preparam esses jovens para ingressar no mercado de trabalho, ampliando suas oportunidades e contribuindo para a inclusão produtiva.

Veja os comentários desta publicação

  1. Wyauhe xipaia disse:

    Queria muito entra pra eu poder ter a minha vaga de emprego já garantido

    1. Comunitas disse:

      Olá, boa tarde! Tudo bem?

      Há vários empresas que, por meio de seus programas de investimento social, capacitam jovens para ingressar no mercado de trabalho, principalmente das populações mais periféricas. Veja se as empresas na sua cidade oferecem alguma coisa nesse sentido, mas fique atento à idade!

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