Artigo da Comunitas sobre adaptação climática é publicado em revista de Stanford
Texto destaca o papel do investimento social corporativo na construção da resiliência climática no Brasil

A Stanford Social Innovation Review Brasil (SSIR Brasil), uma das principais revistas do mundo dedicadas à inovação social, publicou um artigo assinado por João Morais, coordenador de projetos do BISC; Caroline Cotta, coordenadora-geral de Comunicação, Conhecimento e Inovação da Comunitas; e a cientista política, Antonia Lo Prete. O texto, intitulado “O papel das empresas na adaptação climática”, discute como o ISC pode fortalecer territórios, aumentar a resiliência de comunidades e proteger tanto pessoas quanto negócios diante da escalada de eventos climáticos extremos.
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A publicação chega em um momento em que a resiliência empresarial se torna fundamental. No Brasil, secas, enxurradas e enchentes provocaram mais de R$ 380 bilhões em prejuízos entre 2015 e 2024, segundo o Atlas Digital de Desastres. Desse total, R$ 350 bilhões recaíram sobre o setor privado, que sofreu impactos diretos na destruição de ativos, interrupção de cadeias produtivas e paralisação de serviços essenciais.
Empresas como protagonistas da resiliência climática

O artigo sustenta que a adaptação climática – ou seja, o conjunto de ações para ajustar sistemas humanos e naturais às mudanças ambientais já em curso – precisa deixar de ser uma frente acessória e se tornar um eixo central das estratégias de sustentabilidade corporativa. Além disso, o texto defende que o investimento social das empresas tem grande capacidade de fortalecer os territórios e suas próprias operações ao colocar em prática sua habilidade de conectar capital privado, organizações da sociedade civil e políticas públicas.
“As empresas não são observadoras externas da crise climática, elas estão profundamente inseridas nos territórios afetados. Reconhecer essa posição é o primeiro passo para assumir um papel estratégico na resiliência comunitária”, afirma João Morais, destacando que praticamente todos os grandes prejuízos econômicos recentes ocorreram em áreas onde empresas operam.
O artigo lembra que, embora cada dólar investido em adaptação possa gerar até US$ 10 em retorno, segundo o World Resources Institute, o avanço global nessa agenda permanece lento – especialmente porque, quando investem, muitas empresas priorizam exclusivamente a proteção de suas operações internas. Assim, as empresas correm o risco de se tornarem “fortalezas solitárias”, preparadas por dentro, mas vulneráveis a territórios fragilizados ao redor.
Da resposta emergencial à transformação estrutural

No Brasil, o tema da adaptação climática ainda aparece timidamente no investimento social corporativo. A Pesquisa BISC 2025, que acompanhou mais de 20 grupos empresariais responsáveis por aportarem R$ 6,2 bilhões em investimento social em 2024, revelou que apenas 15% deles destinam recursos a ações de adaptação climática – embora a participação em respostas emergenciais, como auxílio humanitário ao Rio Grande do Sul no ano que passou, tenha se aproximado de 100%.
A necessidade de migrar de uma atuação pontual e reativa para estratégias estruturantes de longo prazo, portanto, aparece como uma das provocações centrais do texto. Caroline Cotta destaca que a colaboração intersetorial é o motor dessa mudança. “A adaptação climática exige que governos, empresas e sociedade civil deixem de atuar como ilhas. A construção de soluções sustentáveis depende de arranjos colaborativos capazes de gerar valor público e privado simultaneamente”, afirma.
Guia de ações colaborativas para emergências climáticas

O conteúdo publicado na SSIR Brasil dialoga diretamente com o “Guia para o Enfrentamento às Emergências Climáticas: Estratégias de Colaboração Público-Privada”, lançado pela Comunitas no ano passado para orientar governos, empresas e organizações sociais na construção de respostas eficientes e colaborativas diante da intensificação dos desastres climáticos no país.
O material busca fortalecer a capacidade de resposta dos territórios e ampliar investimentos em medidas de adaptação, oferecendo uma abordagem prática, objetiva e orientada por dados sobre como estruturar parcerias entre setor público, setor privado e comunidades. “A chave para mitigar os impactos climáticos está na colaboração eficaz entre os setores público e privado, fundamentada em estratégias claras e ações coordenadas”, afirma Patricia Loyola, diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas.
Construído a partir de experiências reais, estudos de caso e percepções de líderes públicos e privados, o material apresenta caminhos para a formação de arranjos intersetoriais, identifica desafios e oportunidades de impacto e reúne exemplos, como a atuação no Rio Grande do Sul durante e depois das enchentes e o modelo do Centro de Operações e Resiliência (COR) do Rio de Janeiro.
Um dos principais destaques do material é o Ciclo para o Enfrentamento às Emergências Climáticas, ferramenta que detalha as cinco fases essenciais – prevenção, preparação, resposta, recuperação e adaptação – e indica, para cada uma delas, as atribuições do poder público e as oportunidades de contribuição do setor privado conforme suas capacidades, recursos e estratégias de investimento social.
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