BISC 2026: evidências e articulação sustentam a tomada de decisão e reforçam a legitimidade da ação social
Debates destacaram como a inteligência de dados fortalece o negócio e como a articulação com municípios impulsiona a resiliência urbana

Na manhã de hoje (07), a Comunitas promoveu 2 painéis temáticos como parte do evento de lançamento da edição 2026 da Pesquisa BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo). O encontro reuniu cerca de 75 lideranças de empresas, institutos, fundações, bem como representantes do setor público, sociedade civil e academia, para refletir sobre a qualificação do investimento social corporativo (ISC) no Brasil.
Na sequência da apresentação dos principais achados da pesquisa, os debates aprofundaram pautas prioritárias para a Rede em dois blocos: o primeiro, dedicado à importância da inteligência de dados e da articulação entre pares; e o segundo, voltado à integração entre gestão pública, infraestrutura urbana e adaptação climática nos territórios.
Os painéis ressaltaram que a evolução do setor privado depende da superação da visão puramente compensatória para a consolidação de uma atuação estratégica. A integração entre o core business, o planejamento preventivo e a produção de dados consolidados mostrou-se essencial para garantir a perenidade dos investimentos e a eficácia das transformações sociais e ambientais.
Inteligência de dados e valor para o negócio no ISC
O primeiro painel, que contou com a participação da Gerente de Responsabilidade Social da Fundação Sicredi, Keyla Copes Rodrigues, e o Gerente de Projetos Ambientais da Petrobras, Gregório Araújo, debateu como a inteligência de dados e a avaliação de impacto deixaram de ser vistas apenas como prestação de contas para se tornarem pilares estratégicos de tomada de decisão e legitimidade da ação social e dos próprios negócios. Durante a conversa, os painelistas demonstraram que mensurar resultados com rigor metodológico é o que permite ao investimento social privado gerar valor tanto para as comunidades quanto para a alta liderança das empresas.
De acordo com Keyla, a mensuração de resultados tem transformado a gestão dos projetos sociais. Ela defendeu que a avaliação de impacto não deve ser tratada como um adendo pós-projeto, mas sim incorporada desde a concepção das iniciativas.

“Para nós, a avaliação de impacto opera internamente e externamente – serve menos para a reputação e muito mais para a articulação institucional, desdobramento de estratégias e para guiar o time de dados sobre quais métricas precisamos monitorar”, afirmou. Ela citou o exemplo do programa de educação financeira, Finanças na Mochila, que se tornou a política oficial do Estado de Mato Grosso após comprovar resultados estatísticos com apoio de universidades e consultorias independentes.
Na mesma linha, Gregório Araújo detalhou a estrutura dos investimentos socioambientais da Petrobras, ressaltando que a produção de dados de benchmarking e o ambiente de trocas entre pares alimentam a tomada de decisão no nível executivo.
“Quando a área de Investimento Social Corporativo é alçada a um patamar estratégico, os critérios socioambientais entram na rotina do tomador de decisão antes mesmo de a empresa implantar uma nova planta industrial ou entrar em um novo território”, explicou Gregório, apontando que essa antecedência mitiga riscos operacionais e reputacionais.
Gestão pública, prevenção e resiliência climática

No segundo painel, que contou com a participação da arquiteta, urbanista e Presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), Ana Zornig Jayme, e do Coordenador do Programa Apoio à Gestão Pública no Instituto Votorantim, Rodolfo Garuba de Menezes Mota, o foco das discussões voltou-se para as transformações urbanas de longo prazo e a urgência de uma postura preventiva frente às tragédias climáticas.
Ana Jayme, especialista em planejamento urbano e gestão de cidades, alertou para o alto custo da atuação reativa diante dos desastres socioambientais. “Se temos esses eventos extremos recorrentes, o custo da resposta emergencial destrói o orçamento e compromete a renda das famílias. Vale muito mais a pena fazer um investimento maior no curto prazo, preventivo, para aumentar a resiliência das cidades e garantir a continuidade das ações socioambientais no longo prazo”, ressaltou. A palestrante defendeu, ainda, o uso de dados abertos e citou soluções como o Hipervisor Urbano e o modelo de parques de retenção de Curitiba como exemplos de planejamento urbano contínuo que transcende mandatos políticos.
Rodolfo complementou o debate apresentando a experiência do programa AGP (Apoio à Gestão Pública) Ação Climática, voltado para a instrumentação e institucionalização de diagnósticos preventivos em prefeituras e na articulação dos NUPDECs (Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil). Ele ressaltou que o investimento social privado atua como catalisador ao oferecer evidências e capacidades e conectar frentes operacionais do setor privado aos planos de contingência municipais.
“A inércia do setor público e privado em não agir preventivamente custa caro. Por isso, a nossa missão como Investimento Social Privado é oferecer inteligência, provocar e ajudar as cidades a saírem da inércia. Estamos fazendo isso para salvar vidas”, finalizou Rodolfo, destacando o impacto direto do fechamento prolongado de escolas durante eventos climáticos extremos.