Evento de lançamento do BISC 2026 destaca resiliência do ISC e traz debate sobre integração com os negócios
Estudo mostra que investimento social corporativo somou R$ 5,76 bilhões em 2025, com crescimento de institutos e fundações e maior uso de recursos incentivados

Na manhã de hoje (07), a Comunitas lançou a edição 2026 da Pesquisa BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), apresentando um panorama detalhado, dados originais sobre temas emergentes e as perspectivas para o investimento social das empresas, institutos e fundações corporativas no Brasil. O evento reuniu cerca de 75 pessoas, entre lideranças e representantes empresariais do investimento social, responsabilidade social e sustentabilidade, lideranças do setor público e de organizações da sociedade civil, além de pesquisadores.
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Em sua 19ª edição, o estudo, publicado anualmente pela Comunitas, tem como objetivo oferecer uma visão estratégica sobre o ISC no país, trazendo parâmetros e benchmarks para apoiar a tomada de decisão no planejamento estratégico e qualificar as ações sociais das empresas e de seus institutos e fundações. A Pesquisa BISC 2026, que coletou dados junto à sua rede de apoiadores e relatórios anuais públicos, mapeou um universo de 300 unidades de negócios e 21 institutos e fundações corporativas.
O evento de lançamento foi estruturado em dois momentos de reflexão e compartilhamento de evidências. A abertura foi dedicada à apresentação do panorama geral do ISC no Brasil, detalhando a evolução dos aportes, as fontes de financiamento, os recortes setoriais e a distribuição dos recursos por áreas temáticas.
Em seguida, a programação desdobrou-se em dois painéis de debate:
- Dados, evidências e articulação entre pares para a qualificação do ISC: focado no uso de indicadores e no fortalecimento de redes como indutores da qualidade do investimento social, com participação de Keyla Copes Rodrigues (Gerente de Responsabilidade Social da Fundação Sicredi) e Gregório Araújo (Gerente de Projetos Ambientais da Petrobras).
- Emergências climáticas e o papel do ISC na geração de resiliência nas comunidades e operações: focado em estratégias preventivas e estruturantes frente aos riscos climáticos, contando com Ana Zornig Jayme (Arquiteta, Urbanista e Presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – IPPUC) e Rodolfo Garuba de Menezes Mota (Coordenador do Programa Apoio à Gestão Pública no Instituto Votorantim).
Saiba mais: BISC 2026: Debates apontam que dados consolidados e articulação pública garantem a eficácia do ISC
Resiliência e amadurecimento do ISC em 2025
O Coordenador do BISC, João Morais, apresentou os principais resultados da pesquisa referentes ao ano-base de 2025. Sua abordagem ofereceu um olhar analítico sobre os resultados, destacando os avanços e os desafios estruturais no campo do investimento social corporativo.
O ano foi marcado por um movimento de ajuste para o ISC no país. O volume total de recursos monitorado pelo BISC atingiu R$ 5,76 bilhões, uma redução de 17% em relação a 2024, mas que ainda se mantém em patamares significativamente superiores aos registrados antes da pandemia. Essa retração foi muito influenciada por aspectos pontuais de grandes players e não representa um movimento disseminado no setor.
Apesar do recuo no agregado, os dados revelam um cenário de resiliência e amadurecimento. Mais da metade das empresas pesquisadas (53%) ampliou seus investimentos no período. Os institutos e fundações corporativas seguiram ampliando seus aportes, somando R$ 2,34 bilhões (alta de 4%), o que reforça a perenidade orçamentária e a institucionalização da agenda social nas corporações. Como consequência, a participação relativa dos institutos e fundações no total do ISC voltou a crescer, de 33% em 2024 para 41% em 2025.

Distribuição temática e setorial do ISC
O BISC 2026 revela que a atuação social das empresas é diversificada, mas com diferenças marcantes na cobertura de populações e temáticas. Os jovens (18-29 anos) se mantêm como grupo populacional prioritário, alinhado a um protagonismo cada vez maior de agendas sociais ligadas à inclusão produtiva, empregabilidade e capacitação profissional.
Uma das principais mudanças em relação ao ano anterior foi a forte redução na cobertura do tema ‘Apoio emergencial em situações de eventos extremos’, que despencou de 87% em 2024 para 43% em 2025, que de certo modo reflete a diminuição da quantidade de desastres em comparação com o ano anterior. Por outro lado, o risco climático segue em alta e recomenda-se que o ISC atue de forma preventiva e estruturante.
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A análise da distribuição financeira do ISC por área temática em 2025 revela uma carteira de investimentos mais diversificada. Educação e Cultura continuam sendo as áreas que recebem mais recursos, representando 57% do total, um percentual menor do que os quase 70% observados no período pré-pandemia. Essa diversificação é influenciada pela maior centralidade do território na alocação de ISC e pela integração do investimento social à estratégia de negócios.
Parcerias e cobertura territorial do ISC
As Organizações da Sociedade Civil (OSCs) são parceiras estratégicas na execução do Investimento Social Corporativo. Os dados de 2025 demonstram que a Rede BISC direcionou R$ 770 milhões para cerca de 9,5 mil organizações sem fins lucrativos, um crescimento de quase 20% na amostra comparável em relação ao ano anterior.
O perfil de atuação também apresentou movimentos distintos. Entre as empresas, a postura financiadora se fortaleceu, enquanto que, entre institutos e fundações, houve um recuo parcial da atuação financiadora, a favor de aumento parcial de postura mais executora.
O BISC 2026 também aprofundou a análise sobre a distribuição territorial. Em 2025, cada membro da Rede BISC investiu em 72 municípios, em termos medianos, com um valor mediano de cerca de R$ 116 mil por município. A região Sudeste concentra a maior parte do volume de recursos (32%), seguida pelo Norte (13%) e Nordeste (6%). No entanto, 46% do ISC foi relatado como presente em ‘diversas regiões’ ou ‘não especificado’, evidenciando a dificuldade de monitoramento dos volumes financeiros sob a perspectiva territorial.
O estudo também destacou a relevância de arranjos colaborativos. Cerca de 70% dos respondentes declararam executar ou participar de iniciativas de coinvestimento ou coalizões com outras empresas. A principal força que impulsiona essas parcerias são as causas e temáticas compartilhadas (67%), seguidas pela eficácia dos projetos nos territórios (20%). A tipologia de mobilização mais investida é a temática (77%), seguida por organizações estruturantes (65%).