Comunitas Institucional, Segurança Pública | 05/11/2025

Como a gestão pública pode transformar a segurança no Brasil?

Exemplos de soluções baseadas em dados, articulação institucional e prevenção social que já deram certo no Brasil podem inspirar novas ações

A segurança pública é um dos maiores focos de debates no país. Em um cenário em que a violência urbana segue desafiando governos e comunidades, aumenta a urgência por iniciativas que aliem eficiência, justiça social e responsabilidade institucional. A persistência da violência evidencia que não há respostas simples para desafios complexos.

As discussões têm evidenciado diferentes visões sobre o papel do Estado e as estratégias de prevenção. No entanto, o entendimento que vem se estabelecendo é que soluções sustentáveis dependem de planejamento, integração entre setores e políticas baseadas em evidências. Ou seja, é necessário uma abordagem capaz de equilibrar ação imediata e transformação estrutural.

É nesse contexto que a Comunitas atua há anos, apoiando governos e gestores públicos na construção de modelos de segurança cidadã – que unem inteligência de dados, articulação institucional e participação social. A partir de metodologias testadas e replicáveis, a organização tem sistematizado experiências concretas que demonstram como reduzir a violência e fortalecer a confiança da população nas instituições.

A partir disso, separamos abaixo alguns conteúdos disponíveis na Plataforma Rede Juntos que aprofundam esse debate e apresentam boas práticas de diferentes municípios e estados brasileiros em que a segurança do território passou por grandes transformações e exemplificam caminhos de sucesso na pauta:

1 – Soluções municipais articuladas com foco na prevenção

A cidade de Pelotas se tornou referência nacional ao implementar o Pacto Pelotas pela Paz, modelo que coloca o município como protagonista na prevenção da violência. A metodologia aplicada partiu de um diagnóstico rigoroso – combinando dados criminais, pesquisas de vitimização e análise territorial – para elaborar um plano estratégico baseado em evidências.

O Pacto é estruturado em cinco eixos integrados: Policiamento e Justiça, Fiscalização Administrativa, Prevenção Social, Tecnologia e Urbanismo, desdobrando-se em 17 estratégias práticas e monitoráveis. Em 8 anos de execução, o modelo já demonstra resultados expressivos, com redução consistente dos principais indicadores de violência. No primeiro trimestre de 2025, foram registrados apenas 3 homicídios, uma queda de 89,7% em relação a 2017 e de 75% em comparação ao ano anterior

A metodologia completa está disponível na publicação “O papel dos municípios na Segurança Pública: o caso do Pacto Pelotas pela Paz”, em que compilamos os principais aprendizados do projeto no formato de guia, apresentando a experiência de Pelotas no combate à violência por meio da implementação de políticas públicas que contam com a articulação e engajamento de todos os setores da sociedade.

Crédito da Imagem: Diário da Manhã Pelotas

2 – Inteligência de dados e uso estratégico da tecnologia

A experiência de municípios como Pelotas (RS), Niterói (RJ) e Caruaru (PE) mostra que é possível transformar a segurança pública por meio de uma governança colaborativa orientada por dados. Nessas cidades, a segurança deixou de ser uma responsabilidade exclusiva das polícias e passou a ser um projeto coletivo, que envolve governo, setor privado, universidades e sociedade civil.

O êxito dessas iniciativas está na capacidade de articular múltiplos atores em torno de uma agenda comum, combinando planejamento estratégico, integração territorial e monitoramento constante de resultados. As ações se apoiam em evidências e tecnologias de gestão, permitindo identificar fatores de risco, direcionar recursos de forma mais eficiente e avaliar o impacto real das políticas implementadas.

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Em Caruaru, a tecnologia e o uso inteligente de dados tornaram-se ativos locais por meio do desenvolvimento de uma plataforma de inteligência territorial. O Observatório de Prevenção à Violência (OPV), criado pela prefeitura, permite cruzar informações de diversas secretarias, identificando padrões e fatores de risco em nível individual e territorial.

A iniciativa é acompanhada por um Comitê Territorial, que reúne áreas como educação, saúde, assistência social e políticas para mulheres, garantindo atendimento integrado a pessoas em situação de vulnerabilidade. O modelo vem sendo expandido para outros territórios do município e é reconhecido como referência nacional em gestão integrada e prevenção social da violência.

O estudo Segurança Pública e Governança Colaborativa Baseada em Evidências apresenta os casos do Pacto Pelotas pela Paz, do Pacto Niterói contra a Violência e do Observatório de Prevenção à Violência de Caruaru, demonstrando como o uso de dados, a cooperação institucional e o urbanismo social podem gerar resultados concretos na redução da criminalidade e na promoção de comunidades mais seguras.

Além disso, a metodologia usada para a criação do OPV está detalhada na “Cartilha: A Construção de Um Observatório de Prevenção à Violência”.

3 – Políticas integradas que combinam gestão, evidências e confiança social

Além das experiências acima, a Comunitas também sistematizou um conjunto de boas práticas consolidadas em todo o Brasil, como o Pacto pela Vida (PE), o Estado Presente (ES), o RS Seguro (RS) e o Fica Vivo! (MG). Essas iniciativas demonstram como a inovação na gestão pública – com planejamento estratégico, integração institucional e políticas baseadas em evidências – pode gerar resultados concretos na redução da violência e no fortalecimento da confiança social.

Confira a seleção completa de iniciativas no material “Boas práticas que transformam a segurança pública brasileira”.

4 – Fortalecimento de pauta e disseminação do conhecimento

Para enfrentar desafios como o avanço da criminalidade e a fragmentação das políticas públicas, a Comunitas tem atuado na produção e disseminação de conteúdo qualificado, de forma a apresentar projetos de sucesso que podem ser replicados em outros territórios.

A Plataforma Rede Juntos passou a contar com um espaço exclusivo sobre o tema, reunindo entrevistas, artigos, vídeos, boas práticas e formações que ajudam gestores a ampliar seu repertório e tomar decisões mais eficazes. Um exemplo é a série “Novos Caminhos para a Segurança Pública”, que aborda desde modelos internacionais até experiências bem-sucedidas na área em estados e municípios brasileiros.

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