Como Santos está reescrevendo o futuro da saúde pública com foco no enfrentamento ao câncer, segundo Fábio Lopez
O secretário de Saúde de Santos destaca como a parceria com o A.C. Camargo Cancer Center e a Comunitas tem impulsionado a inovação e fortalecido a articulação intersetorial para aprimorar a rede de saúde do município

Crédito da Imagem: Prefeitura de Santos
Atualmente, o câncer figura entre as principais causas de morte no Brasil. Diante disso, a cidade de Santos vem mostrando que é possível transformar esse cenário com estratégia, colaboração e foco na prevenção. Desde 2023, o município desenvolve um projeto pioneiro voltado à qualificação da rede oncológica, por meio de uma parceria entre a Prefeitura, a Comunitas e o A.C. Camargo Cancer Center, referência internacional em tratamento, ensino e pesquisa em oncologia.
A iniciativa articula inovação tecnológica, conhecimento técnico e articulação intersetorial para reestruturar as etapas de prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento. A iniciativa trata-se de uma agenda estruturante, que coloca a saúde pública no centro da estratégia de desenvolvimento local.
Prevenção como pilar de uma gestão eficiente
Para o secretário de Saúde de Santos, Fábio Lopez, a grande virada está na mudança de foco. “Hoje, gestão pública moderna em saúde se faz com prevenção. Em primeiro lugar, pela saúde do paciente. Em segundo, para que você consiga gastar melhor o recurso público”. Segundo ele, investir nas fases iniciais do cuidado é uma forma de evitar que o sistema colapse nas pontas mais críticas, como a alta demanda por leitos de UTI. “Se a gente só ficar lutando por vaga, vai ter cada vez mais um paciente mais doente e mais recurso público despendido”, pontua.
Essa lógica se reflete em ações concretas. Em 2024, por exemplo, a cidade realizou duas grandes campanhas de rastreamento de câncer de pele, aliando uso de inteligência artificial à mobilização social. Mais de mil pessoas participaram das ações, que resultaram no encaminhamento de 88 pacientes para investigação especializada. “Quando você consegue fazer o diagnóstico e o pronto encaminhamento, você está melhorando significativamente a condição do paciente de buscar a cura”, afirma Lopez.

Registro da segunda campanha de conscientização de câncer de pele realizada em Santos, em dezembro de 2024. Crédito da Imagem: Prefeitura de Santos
Confiança e credibilidade a serviço da população
Um dos elementos mais valorizados pelo secretário na condução do projeto é a legitimidade construída a partir da colaboração entre diferentes setores. “Quando você estabelece uma parceria como essa para a área da saúde, você traz credibilidade. Isso é essencial para que o cidadão se sinta acolhido e confie nos serviços públicos”, ressalta.
Além do engajamento da prefeitura e da expertise técnica do A.C. Camargo, a participação de financiadores privados sem vinculação político-partidária também fortalece a iniciativa. “É importante para a sociedade ser acolhida por uma instituição como essa [A.C. Camargo], que tem imparcialidade. Você vai trazer essa credibilidade, essa confiança, que vai incrementar e vai possibilitar que a gente desenvolva as ações de prevenção”, complementa Lopez.
Um projeto com foco, método e potencial de impacto
Com base em um diagnóstico situacional detalhado, foram definidas cinco frentes prioritárias para a reestruturação da rede oncológica em Santos:
- Capacitação de profissionais da atenção primária para identificação precoce de casos suspeitos;
- Criação de protocolos para cânceres de alta incidência, como os de pulmão e colorretal;
- Modernização da atuação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) com uso de ferramentas digitais;
- Revisão da oferta de exames de colonoscopia, com possibilidade de biópsias;
- Implantação do teste de HPV como alternativa ao Papanicolau no rastreio do câncer do colo do útero.
As frentes combinam ações de curto, médio e longo prazo, com atenção especial à sustentabilidade e ao fortalecimento da rede local. A meta é ampliar o acesso a serviços de qualidade, reduzir desigualdades territoriais e promover uma cultura de cuidado contínuo.
A experiência de Santos mostra que, embora o tratamento do câncer esteja sob responsabilidade dos estados, os municípios têm papel fundamental na prevenção e no primeiro atendimento, afinal, as pessoas vivem nas cidades.
A expectativa agora é que os aprendizados da Missão A.C. Camargo em Santos sirvam de referência para outras administrações públicas interessadas em fortalecer sua rede oncológica com base em evidências, articulação multissetorial e foco no cidadão.
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