Evento de lançamento do BISC 2024 apresenta o cenário e perspectivas do ISC no Brasil
Pesquisa identifica aumento do investimento social corporativo e foco crescente nas emergências climáticas

Crédito da Imagem: Aline Mendes/Vitor Tuão
Na manhã de hoje (26), a Comunitas fez o lançamento da edição 2024 da Pesquisa BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), trazendo o cenário atual e perspectivas futuras para o investimento social das empresas brasileiras. Cerca de 60 pessoas participaram do evento, entre lideranças empresariais de responsabilidade social, lideranças públicas e de organizações do terceiro setor.
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Em sua 17ª edição, o estudo, que é publicado anualmente pela Comunitas com o objetivo de oferecer uma visão estratégica sobre o panorama do ISC no país, trouxe parâmetros e benchmarkings que são efetivos para apoiar a tomada de decisão no planejamento estratégico, bem como qualificar as ações sociais das empresas e seus institutos e fundações.
A Pesquisa BISC 2024 coletou dados junto à sua rede de apoiadores e, também, mapeia anualmente as três companhias de maior volume de investimento no Brasil, de forma que os dados dessa edição representaram um universo de 328 empresas e 19 institutos e fundações corporativas.
O evento de lançamento foi estruturado em dois momentos distintos. O primeiro destacou o panorama do investimento social no país por meio dos principais resultados da Pesquisa, focando em dados historicamente analisados pelo BISC como a evolução dos volumes de investimento, suas divisões por fonte de financiamento e setores econômicos e sua distribuição por temáticas sociais, por exemplo.
Em seguida, foi realizado um painel com a participação de lideranças públicas e privadas da área de responsabilidade social corporativa para discutir possibilidades de colaboração público-privada na frente de mudanças climáticas a partir do “Guia para o Enfrentamento às Emergências Climáticas: Estratégias de Colaboração Pública e Privada”, desenvolvido pela Comunitas em parceria com o Climate Hub do Columbia Global Center Rio de Janeiro.
A publicação apresenta dados, experiências práticas e pesquisas com lideranças públicas e privadas, destacando arranjos colaborativos e soluções inovadoras para mitigar riscos, adaptar comunidades às mudanças climáticas e reduzir vulnerabilidades em territórios impactados. Alguns achados do material também foram repercutidos no relatório final do BISC.
O debate foi moderado pela Diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas, Patricia Loyola, e contou com a participação do Secretário de Estado Adjunto da Reconstrução Gaúcha (RS), Gabriel Fajardo; do Chefe-executivo de Resiliência e Operações do Município do Rio de Janeiro (RJ), Marcus Belchior; da Head da B3 Social, Fabiana Prianti; da Gerente de Gestão de Programas do Instituto Votorantim, Ana Paula Bonimani; e da Gerente do Instituto Itaúsa, Natalia Cerri.
Crescimento e concentração do Investimento Social Corporativo em 2023

Crédito da Imagem: Aline Mendes/Vitor Tuão
O Coordenador do BISC, João Morais, apresentou os principais resultados da pesquisa BISC 2024, referentes ao ano-base de 2023. Sua abordagem ofereceu um olhar analítico sobre os resultados, destacando os desafios e avanços no campo do investimento social corporativo.
O ano de 2023 apresentou um cenário misto para o ISC no Brasil. Houve crescimento de 4,7% no volume total de investimentos em relação a 2022, atingindo R$ 4,41 bilhões, consolidando-se em níveis acima daqueles pré-pandemia. Por outro lado, tal desempenho não repõe as perdas do ano anterior na série histórica e os indicadores medianos registraram queda, além de ter havido maior concentração do volume de ISC nas companhias de grande porte.
A utilização de recursos oriundos de leis de incentivo aumentou consideravelmente no último ciclo, ampliando sua importância na carteira de investimentos sociais das empresas. Após forte redução em 2022, os investimentos incentivados das empresas monitoradas pelo BISC se recuperaram e subiram 27% em 2023, atingindo R$ 1,26 bilhão, se aproximando bastante do valor máximo da série histórica registrado em 2021. A fonte de financiamento público representou 29% do investimento social corporativo.
Distribuição por temática e setorial do ISC
O BISC revela que, em 2023, tanto o setor de serviços quanto o industrial registraram crescimento no investimento social corporativo. O setor de serviços atingiu o volume de R$ 2,26 bilhões no ISC, um aumento real de 7,8%. Já o setor industrial cresceu 1,6% em termos reais, alcançando R$ 2,15 bilhões, próximo ao recorde histórico de 2021.
A distribuição do ISC das empresas, institutos e fundações corporativas apresenta diversidade, mas com diferenças marcantes quanto à cobertura por grupos populacionais e temáticas sociais. Os jovens são o grupo populacional prioritário do investimento social das empresas, em linha com a crescente priorização de projetos voltados à inclusão produtiva, com 62% das empresas focando na temática de formação técnica e profissional para esse público.
Pela primeira vez, o apoio emergencial a desastres climáticos extremos liderou como temática de maior cobertura, refletindo a crescente prioridade do setor privado à crise climática, com 85% das empresas focando nessa área, um crescimento de 60 pontos percentuais com relação a 2020.
“Embora esse movimento seja importante como resposta aos desafios climáticos, a maior parte desse esforço ainda está muito concentrado em ações de apoio humanitário, enquanto iniciativas voltadas para a reconstrução, adaptação climática e prevenção de desastres em territórios e comunidades ainda são pouco exploradas”, alertou Morais.
Já pela divisão dos volumes financeiros dos investimentos, também foi identificada diversificação dos investimentos, mas o protagonismo segue com cultura, educação e infraestrutura, que concentram 45% do volume total do ISC. Este quadro vem se mantendo nos últimos anos e responde, em boa medida, à distribuição dos recursos promovida pelas empresas de maior porte de investimento, que exercem grande peso nos indicadores financeiros gerais.
Parcerias e impactos do Investimento Social Corporativo
A sociedade civil continua sendo um parceiro relevante nos investimentos corporativos, com aumento nos repasses às Organizações da Sociedade Civil (OSCs) em 2023, embora as empresas sigam financiando majoritariamente projetos próprios. A inclusão de novos integrantes na Rede BISC em 2023 ampliou significativamente a amostra da pesquisa, que passou a mapear 8085 organizações apoiadas via repasses diretos, um salto expressivo em relação às 949 reportadas em 2022.
Em termos medianos, foram 44 organizações apoiadas por empresa em 2023, ante 36 em 2022. Em termos financeiros, os repasses às OSCs totalizaram R$ 262,2 milhões, um crescimento real de 70% em comparação ao ano anterior, recuperando parte das perdas registradas na série histórica de 2022. Tal elevação também aconteceu em magnitude similar em um subgrupo comparável de organizações, de forma que não pode ser atribuído à mera ampliação da amostra da pesquisa.
O BISC também explorou a contribuição do ISC para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), destacando sua relevância em áreas sociais como combate às desigualdades e acesso à educação. Além disso, a pesquisa analisou o uso da inteligência social para qualificar impactos por meio da cadeia de fornecedores, embora apenas uma parcela das empresas avance no engajamento desses parceiros com causas sociais.
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