BISC Institucional, Investimento Social Corporativo | 21/10/2025

Evento de lançamento do BISC 2025 destaca recorde no ISC e debate sobre parcerias para impacto social

Estudo mostra que investimento social corporativo chegou a R$ 6,2 bilhões, com crescimento puxado por mais utilização de recursos próprios

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Na manhã de hoje (21), a Comunitas lançou a edição 2025 da Pesquisa BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo), apresentando um panorama robusto e as perspectivas para o investimento social das empresas, institutos e fundações corporativas no Brasil. O evento reuniu cerca de 75 pessoas, entre lideranças empresariais de responsabilidade social, representantes do poder público e de organizações da sociedade civil.

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Em sua 18ª edição, o estudo, publicado anualmente pela Comunitas, tem como objetivo oferecer uma visão estratégica sobre o ISC no país, trazendo parâmetros e benchmarks efetivos para apoiar a tomada de decisão no planejamento estratégico e qualificar as ações sociais das empresas e de seus institutos e fundações. A Pesquisa BISC 2025, que coletou dados junto à sua rede de apoiadores e fontes públicas, mapeou um universo de 337 unidades de negócios e 22 institutos e fundações corporativas.

O evento de lançamento foi estruturado em dois momentos. O primeiro destacou o panorama do investimento social no país por meio dos principais resultados da Pesquisa, focando em dados como a evolução dos volumes de investimento, suas divisões por fonte de financiamento, setores econômicos e distribuição por temáticas sociais.

Em seguida, foi realizado um painel com o tema “Cooperação para Produzir Valor Compartilhado e Impacto Público”, que reuniu experiências do setor público e privado. O debate foi moderado pelo consultor e conselheiro independente Cloves Carvalho e contou com a participação de Gregório Araújo, Gerente de Projetos Ambientais da Petrobras; Tatiana Montório, Coordenadora de Investimento Social Privado do Instituto Rumo; e Pedro Neves, Secretário Executivo de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco.

Saiba mais: Painel de lançamento do BISC 2025 destaca a força das parcerias para o impacto social

Crescimento Histórico e Consolidação do Investimento Social Corporativo em 2024

O Coordenador do BISC, João Morais, apresentou os principais resultados da pesquisa referentes ao ano-base de 2024. Sua abordagem ofereceu um olhar analítico sobre os resultados, destacando os avanços e os desafios estruturais no campo do investimento social corporativo.

O ano de 2024 marcou um forte crescimento para o ISC no Brasil. O volume total de recursos monitorado pelo BISC atingiu R$ 6,2 bilhões, um aumento real de 19,4% em relação a 2023, representando o maior valor da série histórica (desconsiderando o ano excepcional de 2020). Esse desempenho consolida o ISC em patamares superiores aos registrados antes da pandemia.

Parte desse crescimento (cerca de 4,4 pontos percentuais) deveu-se às ações emergenciais no Rio Grande do Sul após as fortes chuvas de abril e maio de 2024, que mobilizaram R$ 218 milhões das empresas. No entanto, o cenário de expansão é sólido mesmo sem esse fator, registrando uma alta de 15%.

A expansão foi causada, principalmente, pelos recursos próprios das organizações, que atingiram R$ 4,79 bilhões (alta de 35% na amostra fixa). Já os recursos incentivados totalizaram R$ 1,42 bilhão, representando 23% do ISC total, reduzindo um pouco seu protagonismo após anos anteriores bastante destacados.

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Distribuição Temática e Setorial do ISC

O BISC 2025 revela que a atuação social das empresas é diversificada, mas com diferenças marcantes na cobertura de populações e temáticas. Os jovens se mantêm como o grupo populacional prioritário, alinhado a um protagonismo cada vez maior da agenda de “empregabilidade e inclusão produtiva”. O “apoio emergencial em situações de desastres” continuou sendo a causa de maior envolvimento da Rede BISC em termos de cobertura, protagonismo que já existia em 2023 e que foi reforçado pela tragédia no Rio Grande do Sul.

A análise da distribuição financeira do ISC por área temática em 2024 revela uma carteira de investimentos mais diversificada, em linha com o maior crescimento do ISC do setor industrial. Os padrões de atuação são bastante distintos entre os grandes setores econômicos. Enquanto no setor industrial as três principais temáticas representaram 47% do ISC setorial – refletindo uma estratégia de investimento mais pulverizada -, no setor de serviços essa concentração foi significativamente maior, atingindo 64%. Neste último, o protagonismo da Educação se manteve como uma característica marcante da agenda de investimento social.

“Esta diferença setorial reforça a conclusão geral de que o ISC das empresas industriais é mais diversificado e com foco territorial mais amplo, enquanto o setor de serviços mantém uma atuação mais focalizada em áreas específicas, com a Educação historicamente no centro de suas estratégias”, declarou João Morais, Coordenador da Pesquisa BISC.

Parcerias e Cobertura Territorial do Investimento Social Corporativo

As Organizações da Sociedade Civil (OSCs) são parceiras estratégicas na execução do Investimento Social Corporativo. Os dados de 2024 demonstram que a Rede BISC direcionou R$ 745 milhões para 8.353 organizações sem fins lucrativos por meio de repasses diretos, valor que corresponde a 19% do total de ISC reportado para esta análise.

Este volume de recursos reforça uma mudança significativa no perfil de atuação da Rede BISC, que avança em direção a um modelo mais financiador. Em 2024, 76% das empresas e 57% dos institutos e fundações declararam atuar total ou principalmente na perspectiva de financiar projetos de terceiros, confirmando a sociedade civil como peça fundamental na materialização e no alcance do impacto dos investimentos sociais corporativos.

Esta transição evidencia um amadurecimento do campo do ISC, onde as empresas e seus institutos assumem cada vez mais um papel de articuladores e financiadores, potencializando o trabalho especializado das OSCs para gerar transformação social.

Pela primeira vez, o BISC mapeou a intencionalidade do investimento social por município, criando um “mapa de calor” que mostra a presença da Rede BISC em todo o território nacional. Dessa forma, foi possível identificar onde o investimento social corporativo está mais concentrado em termos de ações intencionais:

Municípios com maior cobertura do ISC (destaques):

  • São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) – como esperado, são os municípios que aparecem com a maior presença de investimentos (63% e 56%, respectivamente);
    Recife (PE), Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS) – 38% da Rede investem nos territórios;
  • Caruaru (PE), Maragogi (AL) – destaque surpreendente, com 31% da Rede BISC investindo em projetos em ambos os municípios.

Além desses destaques, a pesquisa revelou que a Rede BISC declarou presença em 4.178 municípios em 2024, o que corresponde a 75% das cidades brasileiras. Isso demonstra uma capilaridade significativa do investimento social corporativo no território nacional, com ações intencionais espalhadas por todas as regiões.

O estudo também destacou a relevância de arranjos colaborativos: 77% dos respondentes declararam executar ou participar de iniciativas de coinvestimento ou coalizões com outras empresas, motivadas principalmente por causas comuns. A temática que mais se fortaleceu a partir do coinvestimento foi “Empregabilidade e capacitação profissional”. Para mais detalhes, confira o texto sobre o painel “Cooperação para Produzir Valor Compartilhado e Impacto Público”.

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