BISC Institucional, Investimento Social Corporativo | 21/10/2025

Painel de lançamento do BISC 2025 destaca a força das parcerias para o impacto social 

Lideranças debateram caminhos para fortalecer a colaboração entre empresas e governos na promoção de desenvolvimento territorial e enfrentamento de desafios sociais e ambientais

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Na manhã desta terça-feira (21), a Comunitas promoveu o painel “Cooperação para Produzir Valor Compartilhado e Impacto Público”, como parte do evento de lançamento da 18ª edição da Pesquisa BISC (Benchmarking do Investimento Social Corporativo). O encontro reuniu cerca de 75 lideranças de empresas, institutos e fundações, governos e organizações da sociedade civil para refletir sobre os avanços do investimento social corporativo (ISC) no Brasil e as oportunidades de ampliar seu impacto por meio de parcerias estruturadas.

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Mediado por Cloves Carvalho, o painel contou com a participação de Gregório Araújo, gerente de Projetos Ambientais da Petrobras; Tatiana Montório, coordenadora de Investimento Social Privado do Instituto Rumo; e Pedro Neves, secretário executivo de Mobilidade e Infraestrutura de Pernambuco. A pauta do debate dialogou diretamente com os resultados do BISC 2025, que apontam o crescimento do investimento social das empresas e reforçam o papel da colaboração intersetorial como alavanca para o desenvolvimento sustentável e a resiliência dos territórios.

O ponto central do debate foi a cooperação entre os setores público e privado como condição essencial para gerar transformações duradouras. Os participantes ressaltaram que desafios complexos – como desigualdades regionais, vulnerabilidades sociais e emergências climáticas – exigem novas formas de governança e de articulação entre empresas, governos e sociedade civil.

A proposta de uma governança compartilhada, baseada na confiança e na continuidade administrativa, configurou-se como condição fundamental para alinhar o investimento social das empresas às políticas públicas e às necessidades reais das comunidades. Mais do que repassar recursos, o investimento social corporativo tem potencial de atuar como instrumento de transformação coletiva, articulando capacidades e instituições para ampliar o alcance das soluções de interesse público.

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Integração entre sustentabilidade e valor público

Durante o encontro, Gregório Araújo destacou que a Petrobras tem trabalhado para consolidar o vínculo entre impacto social e sustentabilidade ambiental, com foco em resultados mensuráveis. Segundo ele, o investimento social deve ser compreendido como parte da estratégia de negócio e não apenas como ação compensatória.

“Não há problema social que não se desdobre em questão ambiental, nem problema ambiental que não aprofunde vulnerabilidades sociais. Nosso papel é transformar esse entendimento em prática de gestão e em resultados concretos nos territórios”, afirmou.

O gerente também apresentou projetos estruturantes desenvolvidos pela companhia, como programas de restauração ecológica e de captura de carbono, que combinam geração de renda local, preservação ambiental e fortalecimento comunitário.

Já Tatiana Montório, do Instituto Rumo, trouxe a perspectiva da colaboração em larga escala. Com larga presença territorial, a empresa tem concentrado esforços em 30 municípios prioritários, onde atua de forma integrada com governos locais e organizações sociais. O foco está em promover inclusão produtiva, educação ambiental e fortalecimento institucional – ações que tornam os investimentos mais assertivos e sustentáveis.

A colaboração começa dentro de casa, com o engajamento das áreas de negócio, e se estende para fora, com escuta ativa e diálogo com os territórios. Precisamos de uma governança mais fluida, menos centrada em logotipos e mais voltada para resultados coletivos e de longo prazo”, ressaltou ela.

Entre os exemplos apresentados, ela destacou a parceria entre o Instituto Rumo, a Petrobras e a prefeitura de Cubatão, na Baixada Santista, que resultou na criação de um plano de reurbanização de bairros vulneráveis. O projeto, com horizonte de dez anos, busca assegurar a continuidade das ações e a integração entre os investimentos sociais e as políticas públicas municipais.

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Gestão pública e desenvolvimento regional

Do ponto de vista da gestão pública, Pedro Neves compartilhou as experiências de Pernambuco na formulação de políticas de fomento e inclusão produtiva. À frente do programa PE Produz, o secretário destacou o papel dos governos estaduais e municipais em atrair empresas e articular parcerias para fortalecer os arranjos produtivos locais e as vocações econômicas regionais.

“As comunidades precisam acreditar que o recurso chega e é aplicado. A confiança se constrói com governança e protagonismo. O setor público deve ser o primeiro a convidar o privado a participar”, afirmou.

Pedro também defendeu que o fortalecimento das capacidades institucionais e da diversidade nas equipes é decisivo para o sucesso das políticas sociais.“Projetos bem-sucedidos dependem de equipes diversas, que unam técnica e saberes locais. É assim que construímos soluções que realmente transformam os territórios”.

Desafios e oportunidades para o ISC no Brasil

Entre os principais temas discutidos, destacaram-se os desafios de engajamento da liderança empresarial, a necessidade de previsibilidade nas políticas públicas e a importância de indicadores que mensurem o impacto social e ambiental dos investimentos.

Araújo explicou que a Petrobras desenvolveu uma cesta de indicadores socioambientais que demonstra o valor estratégico das ações à alta liderança, reforçando que ‘a efetividade do investimento social é o que mantém a sustentabilidade do negócio’.

Tatiana Montório complementou que, na Rumo, o diálogo interno é decisivo para que o investimento social converse com os desafios de cada área da companhia. “O impacto só acontece quando o social é incorporado ao negócio – e não tratado como um apêndice”, concluiu.

Encerrando o painel, os participantes reforçaram que o momento é de otimismo responsável.O aumento do volume de recursos investidos, conforme apontado pela Pesquisa BISC 2025, representa uma oportunidade de reposicionar o investimento social corporativo como força estratégica de desenvolvimento nacional. “Temos mais recursos na mesa e precisamos direcioná-los com estratégia, coragem e visão de país. É tempo de investir juntos por um Brasil menos desigual e mais sustentável”, finalizou Tatiana Montório.

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