Comunitas Saúde | 22/04/2025

Fábrica de Vacinas do Butantan será transformada em polo de inovação biomédica e resposta a crises

Além de preparar 100 milhões de doses contra a dengue, o novo complexo do Butantan já planeja imunizantes para vírus como o da gripe aviária, reforçando o papel do instituto na saúde pública

Crédito da Imagem: Associação Paulista de Medicina

O governo de São Paulo quer ampliar o papel estratégico do Butantan ao transformar sua nova fábrica de vacinas em um complexo industrial voltado à resposta rápida a novos vírus. A ideia, segundo o Secretário de Saúde, Eleuses Paiva, é posicionar o instituto como “o maior centro de operação estratégica e tomada rápida de decisão do Estado” diante de futuras ameaças sanitárias.

A construção da planta, chamada de Centro de Produção Multipropósitos de Vacina (CPMV), foi viabilizada durante a pandemia por um modelo inovador de governança compartilhada entre o Governo de São Paulo, o Instituto e a Fundação Butantan, a InvestSP e a Comunitas. Com 11 mil m², o projeto se destacou pela mobilização de 75 empresas privadas, que doaram R$ 189 milhões sem qualquer contrapartida fiscal. A Comunitas atuou como elo entre os setores público e privado, liderando tanto a captação de recursos quanto a gestão do projeto.

A proposta nasceu da constatação de que crises como a pandemia da Covid-19 podem se repetir. Nesse sentido, o Butantan passa a ser concebido como um polo de inovação biomédica, com foco na produção ágil de vacinas, medicamentos e soluções emergenciais. Além da expansão de novas fábricas, está prevista a incorporação da Fundação para o Remédio Popular (Furp) à estrutura do instituto. “Eu quero que moléculas imunizantes fiquem todas nesse centro industrial nosso”, afirmou Paiva.

Vacina contra a dengue e preparo para futuras ameaças

Ainda que o foco seja o futuro, o Butantan tem atuado também frente aos desafios do presente. Um deles é o combate à dengue, cuja curva de contágio começa a cair no interior, mas segue preocupando na capital paulista. “Em Rio Preto, por exemplo, os casos caíram pela metade”, relatou o Secretário. Para ele, a vacinação será o divisor de águas. “Uma pergunta que todo mundo me faz é quando vamos resolver o problema da dengue. Quando tivermos vacina para colocar no braço do brasileiro”.

O imunizante desenvolvido pelo Butantan já teve seu pedido de registro submetido à Anvisa. “Eles solicitaram uma série de informações, que foram apresentadas no dia 7 de março. Aguardamos a manifestação”, explicou Paiva. Mesmo antes da aprovação, a estrutura de produção já está em fase de montagem, com capacidade inicial estimada em 100 milhões de doses e potencial de expansão. Segundo o Secretário, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) já demonstrou interesse em levar a vacina para outros países da América do Sul.

O governo paulista busca estabelecer um centro de excelência capaz de responder rapidamente a surtos e epidemias. Com essa iniciativa, o Instituto Butantan visa consolidar sua posição como referência em saúde pública, além de estabelecer um novo modelo para a produção de imunizantes no Brasil.

*Com informações do jornal Folha de São Paulo

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