BISC Investimento Social Corporativo | 07/11/2025

Investimento Social Corporativo supera níveis pré-pandemia e cresce 19%

Volume de R$ 6,2 bilhões confirma amadurecimento do investimento social privado no Brasil e atinge o segundo maior valor da série histórica

O crescimento no volume do Investimento Social Corporativo (ISC) no Brasil em 2024 foi bastante destacado e reforça o valor estratégico do campo. A 18ª edição da Pesquisa BISC, lançada no final de outubro pela Comunitas, revela que o volume total de recursos aplicados pelas empresas, institutos e fundações monitoradas atingiu a marca de R$ 6,2 bilhões.

Este montante significa o maior valor da série histórica após o ano excepcional de 2020, que acumulou volume de recursos superior destinados ao enfrentamento da pandemia. O desempenho de 2024 significou crescimento real de 19,4% ante 2023, o que materializa uma trajetória de amadurecimento e estabiliza o ISC em níveis estruturalmente superiores aos do período pré-pandemia.

Gráfico retirado do BISC 2025

O desempenho é robusto e não se baseia em fatores pontuais. Mesmo excluindo os R$ 218 milhões direcionados às ações emergenciais no Rio Grande do Sul – que contribuíram com 4 pontos percentuais para a alta -, o crescimento se mantém em 15%. Isso demonstra que o impulso não foi um fenômeno movido pela comoção do momento, mas sim parte de uma tendência enraizada de maior priorização da agenda social no núcleo das empresas.

Saiba mais: Evento de lançamento do BISC 2025 destaca recorde no ISC e debate sobre parcerias para impacto social

Crescimento generalizado e mudança estrutural nos recursos

A pesquisa evidencia que o crescimento do ISC em 2024 foi amplo e consistente, alcançando empresas de diferentes perfis e segmentos econômicos. Para Patricia Loyola, diretora de Gestão e Investimento Social Corporativo da Comunitas, esse é um dos sinais mais claros do amadurecimento do campo. “O recorde não se explica apenas pelos grandes investidores. O desempenho do ano passado foi positivo em todos os portes de investimento – das empresas que aplicam até R$ 20 milhões anuais às que destinam mais de R$ 150 milhões -, o que demonstra a consolidação do ISC como uma agenda transversal no setor empresarial”, observa ela.

Outro destaque positivo esteve nas fontes de financiamento. Após alguns anos de maior protagonismo dos recursos incentivados, os recursos próprios das organizações despontaram como o grande motor em 2024, atingindo R$ 4,79 bilhões – um salto de 35%. Esse movimento interrompe o crescimento da importância relativa dos recursos incentivados e sinaliza que a agenda social segue relevante para o setor privado além da mera utilização de benefícios fiscais.

Gráfico retirado do BISC 2025

A análise setorial revela detalhes importantes por trás dos números totais. O coordenador da Pesquisa BISC, João Morais, destaca: “A desagregação por setores econômicos mostra que a indústria vem assumindo um protagonismo notável, puxando uma carteira de investimentos mais diversificada e com forte foco territorial. Enquanto isso, o setor de serviços mantém uma atuação mais focalizada, com a Educação ainda como carro-chefe. Essa diferença ilustra como o ISC está se adaptando às distintas naturezas e estratégias dos negócios”.

Essa expansão também pode ser explicada pela capilaridade do ISC e estratégias de articulação:

  • Capilaridade nacional: Pela primeira vez, o BISC mapeou a cobertura do investimento social por municípios, constatando que a Rede BISC tem presença em 75% das cidades brasileiras, demonstrando um alcance significativo em todo o território nacional.
  • Parcerias para o impacto: A pesquisa reforça a crescente relevância do coinvestimento e das coalizões, impulsionadas por causas comuns. Essa estratégia é particularmente forte para destravar soluções nas temáticas de empregabilidade e inclusão produtiva, posicionando as empresas cada vez mais como articuladoras e financiadoras de impacto social em parceria estratégica com a sociedade civil.

Ainda de acordo com Morais, embora essa tendência de crescimento e sofisticação das estratégias, a exemplo do coinvestimento, sinalize um amadurecimento do campo, o potencial a ser explorado pode ser ampliado, especialmente em agendas sociais ainda relativamente pouco cobertas pelo campo, como insegurança alimentar, moradia / habitação e adaptação climática. “A alavancagem destas áreas no investimento social passará pela colaboração entre empresas a partir do desafio comum, articulação com os territórios e políticas públicas locais e pela conexão com a própria gestão de riscos dos negócios”, defende ele.

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