BISC Investimento Social Corporativo, Meio ambiente e Sustentabilidade | 07/08/2025

Investimento social e clima impulsionam uma nova atuação das empresas

Diante da crise climática, o investimento social corporativo se fortalece como estratégia de longo prazo para resiliência e desenvolvimento local

Enchentes no Rio Grande do Sul. Crédito da Imagem: Gustavo Mansur/SecomRS

O mundo, como um todo, vive um momento bastante desafiador em relação ao clima. Nos últimos anos, eventos extremos, como enchentes devastadoras, longos períodos de seca, deslizamentos e ondas de calor, deixaram de ser uma casualidade para se tornarem parte da rotina. O cenário demonstra como a emergência climática deixou de ser uma previsão distante para se transformar em uma realidade concreta, com impactos diretos sobre a qualidade de vida da população, a continuidade dos negócios e a sustentabilidade dos territórios. 

Essa nova dinâmica exige não apenas respostas pontuais, mas uma mudança profunda na forma como governos, empresas e sociedade civil lidam com riscos e constroem soluções. Nesse contexto, cresce a percepção de que o enfrentamento à crise climática exige um esforço coordenado, multissetorial e de longo prazo. A atuação do setor empresarial, por meio do Investimento Social Corporativo (ISC), ganha protagonismo ao oferecer recursos, conhecimento e capacidade de mobilização intersetorial, atributos fundamentais para acelerar a construção de respostas estruturantes.

Os eventos climáticos que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024 evidenciaram a vulnerabilidade de muitas regiões brasileiras e a urgência de preparar os territórios para lidar com riscos crescentes. Para Luis Fernando Guggenberger, Diretor-Presidente do Instituto Ultra, o episódio marcou um ponto de inflexão na maneira como as empresas enxergam seu papel na sociedade. “O que aconteceu no ano passado chamou a atenção das companhias para a importância de criar planos de mitigação de riscos ou de crises. E o investimento social pode apoiar prefeituras e governos estaduais a estruturar esses planos de monitoramento e prevenção”, afirma.

O ISC como agente de transformação

Crédito da Imagem: Portal da Sustentabilidade

A resposta emergencial conta com crescente apoio do setor empresarial, mas ainda são comuns casos de grande desarticulação entre doações, organizações sociais e as necessidades do território, frente que o ISC estratégico pode ajudar a solucionar. Veículos filantrópicos vinculados a empresas como a B3 Social e o próprio Instituto Ultra contam com orçamentos dedicados e protocolos bem definidos para agir de forma rápida e eficaz em caso de desastres.  Entretanto, o ISC tem grande potencial de ir além das ações de respostas e atuar em frentes estruturantes de prevenção e adaptação climática. Essa virada, entretanto, exige planejamento contínuo, escuta qualificada dos territórios e articulação com diferentes atores sociais e políticos – além de um compromisso com a continuidade das ações, mesmo fora dos holofotes das crises.

As empresas precisam superar a busca por resiliência individual, evitando tornar-se “fortalezas de solidão” – organizações preparadas internamente, mas isoladas em meio a territórios vulneráveis. A sustentabilidade precisa ser um avanço coletivo. Essa visão reforça a ideia de que a adaptação climática não se faz apenas com tecnologia e infraestrutura, mas com vínculos sólidos entre o setor produtivo e a realidade dos territórios em que está inserido.

Assim, o ISC pode operar como alavanca para a resiliência territorial, contribuindo diretamente para a redução de riscos, a qualificação das políticas públicas locais e o fortalecimento das capacidades institucionais. Como destacado por Guggenberger, já não se trata mais de ‘cada empresa preocupada com sua marca’, mas de um movimento para ‘juntos construir soluções’ aos desafios do país. Ao assumir esse papel de corresponsabilidade, o setor empresarial amplia sua relevância social e política, passando de agente de apoio para coautor das transformações que o território demanda.

Patrícia Loyola, Diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas, sintetiza essa visão a partir dos dados mais recentes do BISC 2024. “Pela primeira vez, o apoio emergencial a desastres climáticos extremos apareceu como a principal frente de atuação do investimento social corporativo, com 85% das empresas priorizando esse tema – um salto de 60 pontos percentuais em relação a 2020. Isso mostra uma mobilização significativa, mas ainda muito concentrada em ações pontuais de resposta. O grande desafio agora é avançar para estratégias estruturantes de reconstrução, adaptação e prevenção, em parceria com governos e comunidades locais”, afirma. 

E você, como enxerga o papel das empresas frente à crise climática? Compartilhe sua opinião nos comentários.

Deixe seu comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *