Mato Grosso inicia projeto para construir política estadual de inclusão digital
Iniciativa visa garantir que a transformação digital do Estado beneficie os cidadãos, reduzindo desigualdades e ampliando o acesso a serviços públicos

O governo do Mato Grosso, em parceria com a Comunitas, deu início ontem (17) a um projeto estratégico para o futuro digital do Estado: a construção de uma Política Estadual de Inclusão e Letramento Digital. A iniciativa tem como objetivo garantir que os avanços tecnológicos e a modernização dos serviços públicos alcancem, de forma equitativa, toda a população, especialmente os grupos historicamente excluídos do meio digital.
Com caráter inovador, o projeto parte do reconhecimento de que ainda não há modelos consolidados de políticas públicas de letramento digital no Brasil capazes de orientar governos na superação das desigualdades digitais de forma estruturada. Nesse contexto, a iniciativa busca construir uma abordagem própria, conectada à realidade local, capaz de enfrentar barreiras de acesso, uso e apropriação das tecnologias digitais pelos cidadãos.
“O nosso objetivo não é apenas ensinar o uso de uma plataforma ou de um serviço específico, mas preparar o cidadão para navegar com confiança, segurança e discernimento no mundo digital como um todo. Quando o cidadão entende esse ambiente, ele consegue acessar qualquer serviço público e também se proteger de riscos como fraudes e desinformação”, afirmou o Secretário Adjunto de Planejamento e Governo Digital do Mato Grosso, Sandro Brandão.
A ação irá fundamentar a Agenda Estratégica Digital do Mato Grosso (2023–2027), que prevê a ampliação da oferta de serviços públicos digitais e o fortalecimento da relação entre governo e cidadão por meio da tecnologia. O projeto reconhece que, sem ações específicas voltadas à inclusão e ao letramento digital, a digitalização dos serviços pode aprofundar desigualdades sociais já existentes.
Para a execução do trabalho, foi selecionado o Instituto i, consultoria especializada na concepção e gestão de projetos de alto impacto para o setor público. A entidade será responsável por conduzir um diagnóstico situacional detalhado sobre o acesso e o uso de tecnologias digitais pela população mato-grossense e, a partir desse levantamento, apoiar a estruturação dos elementos centrais da política estadual.
A abordagem se concentrará em até 8 órgãos e serviços públicos estratégicos, selecionados com base em critérios como volume de atendimento à população, relevância social, diversidade de perfis de usuários e potencial de impacto na redução das desigualdades digitais. O objetivo é garantir profundidade analítica, identificar gargalos enfrentados pelos cidadãos no acesso aos serviços digitais e gerar aprendizados aplicáveis a outras áreas do governo.
Impacto e objetivos estratégicos
O escopo de trabalho do projeto foi definido para atender aos seguintes objetivos:
- Diagnóstico situacional: realizar um mapeamento amplo dos desafios e oportunidades relacionados à inclusão digital, priorizando a compreensão da experiência do usuário final;
- Estruturação da política: estabelecer as bases conceituais e operacionais de uma política pública na área, definindo seus princípios orientadores, modelo de gestão e sistema de acompanhamento de resultados;
- Ações práticas: elaborar um plano de ação concreto, com a recomendação e priorização de iniciativas-chave e projetos experimentais que pavimentem o caminho para uma futura implementação ampliada.
Segundo Thiago Milani, diretor de Projetos e Relações Governamentais da Comunitas, o projeto vai além da formulação de uma política pública específica e tem potencial para inspirar outros territórios. “A proposta é construir uma política consistente, conectada à realidade dos serviços e das pessoas, que possa servir de referência para outros estados e municípios que enfrentam desafios semelhantes. Ao estruturar um modelo aplicável e replicável, Mato Grosso pode contribuir para o avanço da inclusão digital em todo o país”, declarou ele.
O projeto tem prazo de execução de 5 meses e seus resultados serão fundamentais para orientar decisões estratégicas do Estado na construção de uma inclusão digital efetiva e duradoura.
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