BISC Investimento Social Corporativo | 15/05/2025

Nova publicação do BISC revela caminhos para integrar o investimento social à estratégia corporativa

Construído a partir de escuta com lideranças executivas da Rede BISC, o material identifica os desafios e oportunidades para fortalecer o engajamento da alta liderança corporativa para projetos de impacto social

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

A Comunitas lançou ontem (14) a nova publicação qualitativa do BISC intitulada “Reflexões e Tendências do ISC – Caminhos para o engajamento da alta liderança empresarial no investimento social corporativo”. O material, que complementa o BISC 2024 – de abordagem quantitativa e divulgado em novembro do ano passado -, visa lançar luz sobre o papel das lideranças empresariais na consolidação de estratégias de investimento social mais robustas, integradas ao negócio e comprometidas com impacto de longo prazo.

Clique aqui para baixar a publicação!

A publicação traz os resultados de um estudo que envolveu 10 lideranças executivas das empresas da Rede BISC. A pesquisa foi conduzida a partir de uma escuta qualificada, por meio de grupo focal realizado em outubro de 2024, complementado por entrevistas semiestruturadas. Essa metodologia permitiu mapear práticas, percepções e desafios para o engajamento da alta liderança no investimento social corporativo.

Para marcar o lançamento do material, foi realizado um webinário que reuniu Patricia Loyola, diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas; João Morais, coordenador de projetos do BISC; e Fabiana Prianti, Head da B3 Social. O encontro teve como objetivo debater os achados da pesquisa, que se debruça sobre as motivações, barreiras e estratégias de envolvimento da alta liderança no ISC, trazendo recomendações práticas para empresas, institutos e fundações.

O encontro evidenciou uma constatação comum entre os participantes: embora as empresas estejam cada vez mais maduras em relação à estruturação de suas áreas de investimento social, ainda é um desafio garantir que esse tema esteja conectado com as decisões estratégicas do negócio, especialmente no nível da alta liderança. Essa lacuna, segundo apontado na pesquisa, pode limitar o potencial transformador do ISC e dificultar seu alinhamento a agendas como ESG, sustentabilidade e valor compartilhado.

Nesse contexto, Patricia Loyola destacou que o tema central da nova publicação surgiu de uma inquietação recorrente nas interações da Comunitas com empresas, institutos e fundações, salientando que a alta liderança tem um papel decisivo no avanço do investimento social corporativo. “Quando os líderes estão engajados, as ações ganham legitimidade, escala e perenidade”, afirmou. 

Pesquisa aponta caminhos para engajar lideranças

A publicação identifica quatro grandes pilares para fortalecer o engajamento da alta liderança no ISC: 

  • Conexão com o propósito da organização; 
  • Capacidade de gerar valor compartilhado; 
  • Alinhamento estratégico com os objetivos do negócio; 
  • Construção de uma governança sólida para o tema.

Segundo João Morais, os resultados mostram que, apesar de muitas lideranças já demonstrarem sensibilidade às causas sociais, ainda há desafios em tornar esse compromisso efetivo na prática. “Existe uma diferença de letramento e cultura entre social e negócio. Há uma aproximação, mas as áreas possuem linguagens muito distintas por conta de um histórico de afastamento. Agora estamos numa trajetória de reaproximação, e isso pode gerar choques”, explicou.

Os dados também revelam que a trajetória pessoal e profissional das lideranças, seus valores e experiências prévias, influenciam diretamente o espaço que o ISC ocupa na agenda da organização. Essa dimensão altamente subjetiva foi apontada como um elemento importante, mas ainda pouco explorado pelas equipes técnicas na hora de dialogar com seus decisores.

Outro ponto relevante discutido durante o webinário é que o engajamento da liderança não depende apenas da comunicação de resultados ou do volume de recursos investidos, mas da capacidade de conectar o ISC aos objetivos mais amplos da empresa – como reputação, inovação, ESG e sustentabilidade. Nesse sentido, a pesquisa reforça que trabalhar o ISC como um vetor estratégico é fundamental para mobilizar as lideranças.

Apesar dos avanços, o estudo aponta que a institucionalização mais profunda do ISC ainda é um desafio em muitos contextos – especialmente diante de mudanças na composição da liderança ou de reestruturações estratégicas. Por isso, é necessário investir em mecanismos de governança que preservem o compromisso social das empresas mesmo em momentos de transição.

O investimento social como parte do negócio

Um dos pontos centrais debatidos no webinário foi a importância de posicionar o investimento social corporativo como parte integrante da estratégia de negócio, e não como um esforço isolado ou periférico. Essa mudança de mentalidade, segundo os participantes, é fundamental para fortalecer o papel do ISC nas organizações e ampliar seu impacto social.

Fabiana Prianti, da B3 Social, compartilhou como a entidade tem avançado nessa integração. Segundo ela, “o investimento social não pode ser percebido apenas como custo, ele é estratégia e agrega valor ao negócio. Precisamos mostrar como ele contribui para o propósito da companhia”, defendeu. Quando compreendido como parte da lógica de criação de valor da empresa, o ISC ganha protagonismo nas decisões corporativas, como ocorreu na reestruturação da B3 Social.

Fabiana destacou ainda três estratégias práticas que têm contribuído para esse avanço na entidade:

  • Criação de rituais de escuta, que aproximam as lideranças das demandas da sociedade e dos impactos das iniciativas sociais;
  • Alinhamento com metas e indicadores corporativos, garantindo que os resultados sociais façam parte das entregas estratégicas das áreas;
  • Valorização das conquistas sociais nas instâncias decisórias, como conselhos e comitês executivos, reforçando a legitimidade do tema dentro da governança.

Complementando a discussão, Patricia Loyola reforçou que o engajamento da alta liderança não pode ser pontual ou motivado apenas por crises e emergências. “Projetos de curto prazo não fazem sentido quando falamos de impacto social real. A gente defende planos plurianuais e alianças”, afirmou. Para a diretora da Comunitas, o investimento social precisa estar inserido em uma visão de longo prazo, com metas claras e estrutura robusta. Este resultado apareceu com bastante clareza na própria pesquisa.

Os participantes também pontuaram que a linguagem e a abordagem utilizadas pelas equipes técnicas de ISC fazem diferença no engajamento da liderança. Apresentar dados, conectar o ISC a desafios de negócio e demonstrar impacto com consistência foram citados como formas eficazes de mobilização.

Uma agenda coletiva em construção

A nova publicação do BISC chega como mais um capítulo de uma jornada promovida pela Comunitas junto a empresas, seus veículos filantrópicos, sociedade civil e a academia. Desde 2008, o BISC atua como plataforma de sistematização de dados e construção de inteligência coletiva sobre o investimento social privado no Brasil.

Com o lançamento do material, o foco se volta para o fortalecimento institucional do tema dentro das corporações, apontando que a atuação social das empresas só será sustentável se estiver enraizada no compromisso dos principais tomadores de decisão.

“Nosso objetivo é consolidar uma cultura em que o investimento social transcenda convicções individuais – com governança estruturada, planos plurianuais e engajamento orgânico da liderança”, afirmou João Morais.

Veja aqui o webinário na íntegra!

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