Novo estudo do BISC se aprofunda nas conexões e limites entre o ISC e os negócios
Estudo inédito investiga a relação entre investimento social e estratégia empresarial e os caminhos para potencializar o impacto público e privado

Na manhã de hoje (28), a Comunitas fez o lançamento da nova pesquisa do BISC intitulada “Conexões e fronteiras entre o Investimento Social Corporativo e os negócios”. O material investiga um movimento já consolidado entre os principais players do ISC no Brasil: a integração do investimento social à estratégia dos negócios – e os limites que não podem ser ultrapassados para que o interesse público seja preservado e fortalecido.
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O estudo chega em um momento em que o alinhamento entre ISC e negócio deixou de ser uma tendência emergente para se tornar uma realidade estrutural no setor. A pesquisa mostra que empresas, institutos e fundações empresariais estão cada vez mais próximos dos negócios e envolvidos em temas materiais como reputação, gestão de riscos, inovação e licença social para operar. Tal caminho sugere um grande potencial de sinergias e conexões que impulsionam o valor público da agenda social, mas há riscos referentes a enfraquecimento do interesse público em favor dos objetivos privados. Daí o título do estudo, que aprofundou entendimento sobre as conexões e fronteiras desta integração.
A pesquisa combinou revisão de literatura nacional e internacional com coleta de dados quantitativos e uma ampla escuta qualitativa. Foram realizados dois grupos focais com 16 lideranças de empresas, institutos e fundações empresariais de diferentes setores e portes de investimento social, além de entrevistas com cinco especialistas de perfis complementares entre conselheiras independentes, pesquisadores e lideranças do ecossistema de impacto social. O trabalho de campo ocorreu entre maio e setembro de 2025.
O que a pesquisa revela
A publicação identifica diferentes tipologias de alinhamento entre investimento social e negócio – temático, territorial, por stakeholders, por modelos de gestão e institucional – e mostra como elas coexistem nas organizações com diferentes graus de prioridade. De forma geral, os dados indicam que os alinhamentos temático e territorial são os mais presentes na prática, embora outras dimensões também ganhem relevância a depender do contexto de atuação das empresas.
Em seguida, o estudo aborda diferentes caminhos possíveis para explorar as sinergias e oportunidades de colaboração entre agenda social e de negócios. Uma abordagem crescente é a de portfólio de investimentos sociais, desenvolvendo no ISC a expertise de combinar seu core de geração de impacto nas causas, territórios e organizações com abordagens mais intencionais de endereçar as “dores sociais” do negócio e de catalisar soluções sociais inovadoras e de alta escala. O estudo identifica o ISC como um componente do espectro de investimentos socioambientais, sendo uma entre diferentes fontes de capital privado voltado a impacto social. Nesta linha, identifica-se sinergias e os principais drivers de negócio que tendem a ser mais impactados pelo ISC, levando a uma discussão sobre o business case do investimento social corporativo.
Após as conexões, o estudo se debruça sobre os limites, desafios e riscos desta integração. Entre os pontos levantados, está o risco de instrumentalização do investimento social, quando ele passa a ser utilizado principalmente como ferramenta de marketing ou de gestão de imagem. A pesquisa também chama atenção para a baixa autonomia de institutos e fundações diante das empresas mantenedoras, o que pode comprometer a coerência e a consistência das estratégias sociais.
Outro desafio recorrente é a tensão entre diferentes horizontes de tempo. Enquanto o negócio opera sob pressão por resultados de curto prazo, o investimento social exige continuidade e visão de longo alcance para gerar transformações mais estruturais.
Por fim, o estudo destaca a dificuldade de sustentar compromissos territoriais ao longo do tempo, especialmente em contextos de mudança de liderança – o que pode fragilizar relações construídas com comunidades e parceiros locais.
Fatores estruturantes para um alinhamento consistente
O estudo também se debruça sobre fatores que estruturam as tensões e promovem um alinhamento mais consistente entre investimento social e negócio. Entre eles, destacam-se a importância de uma governança clara e equilibrada e de uma definição orçamentária mais estratégica, capazes de dar sustentação às iniciativas.
Outros fatores relevantes são os compromissos públicos e a atuação em rede, que funcionam como mecanismos de proteção da agenda social. A pesquisa ainda reforça a necessidade de reconhecer o ISC como um espaço de inteligência dentro das companhias, com capacidade de produzir conhecimento sobre territórios e dinâmicas sociais. Também entram nesse conjunto o engajamento qualificado das lideranças e a existência de sistemas de avaliação que consigam conectar impacto social e retorno para o negócio – sem que esse retorno se torne o único critério de decisão.
Outro ponto importante trazido pela pesquisa é a necessidade de diferenciar o papel do ISC de outras agendas corporativas. O material salienta que o investimento social não se confunde com ESG. Seu objetivo não é atuar como uma área de suporte para tornar a empresa mais sustentável, ainda que possa contribuir com esse debate.
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