Comunitas Institucional | 24/10/2025

O legado de Ruth Cardoso para a criação da Comunitas ganha capítulo em publicação

Regina Esteves relembra sua trajetória ao lado da antropóloga e ex-primeira-dama em “Comunidade Solidária: Memória e Legado – Homenagem a Ruth Cardoso”

Ruth Cardoso e Regina Esteves em evento do Alfabetização Solidária. Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

A Comunitas junta-se à homenagem prestada pela Fundação Fernando Henrique Cardoso com o lançamento do livro “Comunidade Solidária: Memória e Legado – Homenagem a Ruth Cardoso”. A obra é uma coletânea de depoimentos e análises que revisitam o programa, um marco na história da política social brasileira. Regina Esteves, presidente da Comunitas e uma das convidadas a compartilhar suas memórias, resgata o nascimento dessa visão inovadora sobre as parcerias multissetoriais e a corresponsabilidade entre os setores público e privado, que pautou a atuação da antropóloga e ex-primeira-dama.

Em seu depoimento, Regina recorda os primeiros anos de sua trajetória profissional, quando foi convidada por Ruth Cardoso para integrar a equipe do Programa Alfabetização Solidária (Alfasol) – uma das experiências mais relevantes do Comunidade Solidária e que viria a inspirar a criação da Comunitas nos anos 2000.

“Ruth acreditava na união de competências e na força da cocriação entre governo, sociedade civil e iniciativa privada. Ela me ensinou que impacto real só acontece quando todos compartilham o propósito e a responsabilidade”, relembra a presidente da Comunitas.

A publicação, organizada por Miguel Darcy de Oliveira e Sergio Fausto, revisita as ideias que nortearam Ruth e os programas que marcaram época – como o Universidade Solidária, a Capacitação Solidária e o próprio Alfasol – e destaca sua contribuição para uma nova cultura de política pública no país, baseada em evidências, redes colaborativas e respeito à autonomia das comunidades.

Para Regina, participar da homenagem é mais do que revisitar o passado, é reafirmar a atualidade do legado da antropóloga. “Se estivesse entre nós hoje, Ruth continuaria nos inspirando a construir pontes em um mundo cada vez mais polarizado. Sua visão sobre a importância da articulação entre setores, do engajamento das novas gerações e da construção de soluções coletivas para problemas públicos é mais necessária do que nunca”.

O livro reúne depoimentos de personalidades como Wanda Engel, Cristovam Buarque, Marcos Lisboa, Augusto de Franco, além do próprio Miguel Darcy de Oliveira, entre outros, e busca recuperar o significado histórico do Comunidade Solidária – não apenas como programa de governo, mas como movimento que inaugurou uma nova forma de pensar e fazer política social no Brasil. Clique aqui para baixar o material.

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Os princípios de Ruth que ainda moldam a Comunitas

Os valores que Ruth Cardoso cultivou nos anos 1990 seguem vivos tanto na atuação de Regina Esteves quanto no da equipe da Comunitas. As sementes que ela plantou, baseadas em escuta, parceria e compromisso com o bem público, continuam a transformar a maneira de fazer política pública no Brasil:

1. Espírito público como missão – Para Ruth, ocupar uma função pública era, antes de tudo, um pacto ético com o coletivo. Suas decisões sempre miravam o impacto social, especialmente entre os mais vulneráveis. Esse senso de responsabilidade moldou a atuação de Regina e da Comunitas, que seguem colocando o interesse público acima de agendas individuais ou institucionais.

2. Parceria com corresponsabilidade – Ruth não acreditava em relações unilaterais entre Estado, iniciativa privada e sociedade civil. Para ela, parceria verdadeira exige cocriação, protagonismo compartilhado e confiança mútua. Essa capacidade de formar alianças genuínas segue como base da atuação da Comunitas.

3. Iniciativa privada como agente de mudança – Muito antes da popularização do investimento social privado, Ruth já mobilizava empresários para cocriar soluções, não apenas financiar projetos. Via no setor privado uma força estratégica para fortalecer políticas públicas com gestão, métricas e visão de impacto.

4. Política pública como caminho para escalar o impacto – Mudanças estruturais exigem políticas públicas bem formuladas. A Alfabetização Solidária é exemplo disso: nasceu de uma coalizão multissetorial e inspirou novas políticas para a educação de jovens e adultos. Ruth acreditava que a política pública era o meio para universalizar oportunidades.

5. O beneficiário como protagonista – Ruth rejeitava o rótulo de “excluído”. Para ela, cada pessoa tem o direito de decidir seu próprio caminho. Acreditava no acesso como chave para a liberdade de escolha – seja em educação, renda ou cultura. Essa visão continua presente no modo como a Comunitas atua, sempre com foco na autonomia e dignidade dos cidadãos.

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