Rede BISC discute estratégias para engajar as cadeias de valor para o investimento social corporativo
Grupo de Debates aborda como empresas podem amplificar seu impacto social a partir de suas estruturas de negócio, clientes e fornecedores

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas
Na tarde de ontem (10), a Comunitas realizou o primeiro Grupo de Debates (GD) do ano, reunindo empresas parceiras para discutir estratégias de engajamento das cadeias de valor no investimento social corporativo brasileiro. O encontro abordou formas de incentivar as estruturas de negócio a se envolverem em projetos de impacto social, ampliando o alcance e a efetividade das iniciativas de ISC.
Realizado no auditório da Comunitas, o encontro teve como objetivo colocar em evidência iniciativas inovadoras de empresas e promover debate e troca de experiências sobre os cases específicos e os desafios enfrentados na temática de modo geral. O evento reuniu cerca de 25 participantes, incluindo lideranças e executivos sociais da Vale, Santander, Fundação Sicredi, Instituto Lojas Renner, B3 Social, Instituto C&A, Unilever, Rumo, Raízen, ArcelorMittal e Ultracargo.
O Grupo de Debates destacou a importância crescente do engajamento social dentro das cadeias produtivas das empresas. A partir dos dados levantados pela pesquisa BISC 2024, foi constatado que muitas organizações já monitoram suas cadeias de suprimentos sob a ótica da governança e da conformidade regulatória, mas ainda há um grande potencial para ampliar a incorporação de uma agenda social estruturada.
O debate teve como ponto central a apresentação das estratégias adotadas pela Vale e pelo Santander para engajar suas cadeias de valor em ações de impacto social. Representando a Vale, participaram Marilza Cruz, Coordenadora do Centro de Excelência de Suprimentos, e Andreia Rabetim, Gerente Geral de Articulações Intersetoriais. Pelo Santander, a Head de Impacto Social, Camila Feldberg, compartilhou as iniciativas da instituição.
O encontro promoveu a troca de experiências, desafios e estratégias voltadas para fortalecer a dimensão social nas relações com fornecedores e parceiros comerciais, destacando como a inclusão produtiva e o desenvolvimento territorial podem ser impulsionados por uma cadeia de valor comprometida com impactos socioeconômicos positivos.
Experiências adotadas para engajar fornecedores e seus impactos

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas
Durante o encontro, as representantes da Vale apresentaram o Programa Partilhar, uma iniciativa voltada ao fortalecimento socioeconômico das comunidades onde atua, por meio do engajamento de fornecedores. Utilizando o Índice de Valor na Comunidade (IVC), o programa incentiva práticas responsáveis, como geração de empregos locais, aumento da renda dos trabalhadores, valorização de compras regionais e investimentos sociais.
Desde sua criação, em 2020, o Partilhar tem se expandido continuamente, com a meta de alcançar mil fornecedores até 2030. A empresa promove eventos de reconhecimento, capacitações e a plataforma Praça Digital, que auxiliam fornecedores a integrarem práticas ESG em seus negócios, ampliando o impacto social da cadeia produtiva. Esse modelo tem sido essencial para transformar a visão dos fornecedores, mostrando que o investimento social pode impulsionar o crescimento e a competitividade.
O programa vem se transformando em uma referência em engajamento social na cadeia produtiva, ao combinar impactos diretos nas comunidades com a promoção de uma mudança cultural na relação entre empresas e desenvolvimento territorial, garantindo transparência, suporte contínuo e novas adesões.
As iniciativas do Santander, por sua vez, demonstram um impacto social significativo ao mobilizar colaboradores, clientes e fornecedores para fortalecer o investimento social corporativo. Os programas Amigo de Valor e Parceiro do Idoso viabilizam a destinação de recursos para projetos sociais, garantindo transparência e conformidade na aplicação dos investimentos. Além disso, o banco utiliza sua expertise financeira para simplificar esse processo, ampliando o alcance das ações e fortalecendo a conexão entre setor privado e demandas sociais.
Outro destaque é a inclusão produtiva de microempreendedores e pequenos negócios por meio do Programa Prospera, que oferece capacitação empreendedora, suporte técnico e acesso ao crédito. Essa estratégia tem possibilitado que empreendedores de comunidades vulneráveis expandam suas operações e se integrem de forma mais competitiva ao mercado, gerando empregos e impulsionando o crescimento econômico local.
A partir desta estrutura de negócio, o investimento social do Santander vem se somando ao microcrédito em lógica territorial, levando recursos filantrópicos ao Norte e Nordeste e as linhas de ação do Amigo de Valor, Parceiro do Idoso e projetos voltados à educação financeira.
Desafios na implementação de estratégias de impacto social na cadeia de valor

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas
O debate também abordou os desafios enfrentados pelas empresas na implementação de suas estratégias. Um dos principais obstáculos mencionados no encontro é a resistência inicial dos fornecedores em incorporar ações de impacto social ao seu modelo de negócios. Muitas empresas da cadeia produtiva, especialmente as de pequeno e médio porte, ainda enxergam essas exigências como um custo adicional e não como uma oportunidade de fortalecimento competitivo. Para superar essa barreira, as compradoras têm adotado uma abordagem de sensibilização e capacitação, demonstrando como a implementação de critérios sociais pode gerar benefícios econômicos, melhorar a reputação e abrir novas oportunidades de mercado.
Outro desafio é a falta de métricas padronizadas para avaliar o impacto socioeconômico das iniciativas dentro da cadeia de valor. Algumas empresas têm avançado na criação de metodologias para mensurar a contribuição social de seus fornecedores, mas ainda há um longo caminho para que esse tipo de avaliação se torne um padrão no setor. Além disso, a mensuração do impacto demanda engajamento ativo e contínuo dos fornecedores, que muitas vezes carecem de estrutura e conhecimento técnico para reportar dados de maneira eficiente.
Também foi apontada a necessidade de fornecer suporte técnico e desenvolver mecanismos de monitoramento eficazes como uma das principais estratégias para garantir que as iniciativas sociais implementadas na cadeia produtiva tenham resultados concretos. Por fim, a dificuldade em alinhar incentivos financeiros a práticas sustentáveis e socialmente responsáveis também foi apontada como um entrave. Muitas empresas relataram que, embora queiram priorizar fornecedores engajados em ações sociais, os critérios de contratação ainda são fortemente baseados em preço e capacidade técnica.
Criar mecanismos que equilibrem esses fatores, sem comprometer a competitividade e a eficiência da cadeia produtiva, é um dos desafios para a consolidação de um modelo mais sustentável de negócios. Nesse sentido, algumas iniciativas já vêm sendo implementadas, como o oferecimento de condições diferenciadas de financiamento e capacitação para fornecedores que atendem a critérios sociais, mas a ampliação dessas práticas exige uma mudança cultural mais profunda dentro das empresas e do mercado como um todo.
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