Santos 500: Confira os detalhes do projeto que vai desenhar a cidade para o seu quinto centenário
Em entrevista para a Comunitas, a prefeitura aponta os principais avanços e desafios do plano que une habitação, turismo e revitalização ambiental para transformar a cidade até 2046

Vista aérea do Porto de Santos. Crédito da Imagem: Divulgação Codesp
Em 2046, a cidade de Santos completará 500 anos de fundação. Mais do que um marco histórico, a data representa a oportunidade de iniciar um novo ciclo de desenvolvimento urbano, social e ambiental. Para preparar a cidade para esse futuro, a Prefeitura tem investido em uma série de iniciativas estruturantes, com destaque para o programa Santos 500 – uma estratégia de macroestruturação urbana voltada à superação de desafios históricos por meio de soluções sustentáveis, inovadoras e socialmente inclusivas.
Elaborado com o apoio da Comunitas em parceria com o escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados, o plano reúne propostas integradas, como o Parque Palafitas (que alia habitação digna e recuperação ambiental no Dique da Vila Gilda), a revitalização do Mercado Municipal (futuro hub de economia criativa e turismo) e o Parque Valongo (que resgata a conexão da cidade com sua história portuária). Todas as ações estão alinhadas aos cinco pilares que sustentam o projeto: sustentabilidade, inovação, criatividade, eficiência e solidariedade.
Para garantir a execução coordenada dessas transformações, a Secretaria de Infraestrutura e Edificações tem atuado de forma estratégica, liderando projetos, obras e articulações institucionais. Nesta entrevista, a prefeitura revela os bastidores das principais iniciativas, os avanços já alcançados e a visão da gestão municipal para um futuro mais inclusivo, resiliente e conectado para Santos.
A seguir, conheça os detalhes dos principais projetos e entenda como a cidade se prepara para entrar em seu quinto século com inovação e compromisso com o bem-estar de sua população.
1 – Como o Parque Palafitas, criado para reorganizar as moradias irregulares no Dique da Vila Gilda, aborda tanto a questão habitacional quanto a qualidade de vida dos moradores?
Desenvolvido pelo escritório Jaime Lerner, o Parque Palafitas foi projetado com base nas necessidades da população local. Sua premissa é integrar os moradores ao processo de reurbanização, combinando saneamento básico, infraestrutura digna e recuperação ambiental, sem perder de vista a preservação do território e a qualidade de vida.
2 – De que forma a secretaria articula os diversos componentes do projeto – desde moradias até a recuperação do mangue – para garantir um desenvolvimento urbano sustentável e socialmente inclusivo?
A Baixada Santista é uma região ambientalmente sensível, com características estuarinas e composta por cidades como Santos, São Vicente, Cubatão e Praia Grande, que compartilham questões ambientais ligadas aos corpos d’água. Portanto, o projeto tem o objetivo de conciliar a urbanização com o meio ambiente, trazer espaços de lazer e oportunidades para o mangue se regenerar.
A comunidade local, tradicionalmente ribeirinha e dependente da pesca, viu esse modo de vida se perder com a degradação ambiental. Agora, a proposta visa reconectá-la à água, com iniciativas como um píer flutuante para revitalizar a interação com o mangue.
3 – Considerando o histórico de esvaziamento do centro de Santos e o potencial turístico e social do Mercado Municipal, como foi concebido o projeto de revitalização e quais são seus principais objetivos para a cidade?
O projeto de reforma e restauro do novo Mercado Municipal de Santos é uma das estratégias para requalificar a região central, especialmente o seu entorno, com o objetivo de atrair novos negócios, turismo, moradias e atividades ligadas à economia criativa.
A proposta de revitalização e modernização do edifício, inaugurado em 1902 e com arquitetura atual datada de 1947, inclui a reconstrução da fachada e da cobertura, a remodelação interna para abrigar novos negócios e a criação de um Centro Temático de Cinema no anexo.
O novo Mercado Municipal concentrará negócios voltados ao comércio tradicional e à economia criativa, contemplando diversas atividades e segmentos da sociedade santista. A proposta é que ele se torne um dos espaços mais importantes de lazer e turismo da cidade.
Múltiplas atividades
No térreo, o espaço contará com uma cervejaria, restaurantes e 18 boxes, que abrigarão peixaria, hortifrúti, açougue, temperos, bebidas e laticínios, incluindo uma padaria artesanal. O mezanino será ocupado por um café, uma varanda e outros 18 boxes destinados a exposições, salão de beleza, venda de jóias e artesanato, estúdios de tatuagem e piercing, além de espaços para coworking, ateliê, antiquário e suvenires.
Entorno
A modernização do espaço também se estenderá ao seu entorno, com a presença da estação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) na entrada e o início da revitalização da Bacia do Mercado ainda neste semestre.
4 – Diante do avanço do projeto de revitalização do Mercado Municipal, quais etapas já foram finalizadas até o momento e quais são as próximas ações previstas para os meses seguintes?
A primeira etapa da revitalização do Mercado Municipal, que inclui o restauro do telhado e das fachadas, já foi concluída. No entanto, alguns detalhes só poderão ser finalizados após a conclusão da parte interna, devido à circulação de caminhões e à instalação da iluminação cênica.
A reforma do interior do equipamento turístico, com 75% dos serviços executados, tem previsão de conclusão para setembro, quando terão início os preparativos para a ocupação do espaço.
As antigas portas da entrada principal do mercado, feitas em aço, foram restauradas e darão acesso a um saguão cujo piso terá um desenho que remete às tradicionais muretas da orla, nas cores cinza escuro e cinza claro.
Em outras áreas do Mercado Municipal, o piso de granilite – composto por base cimentícia com grânulos de pedras naturais como mármore, granito ou quartzo – já está instalado, restando apenas o lixamento e a aplicação da resina. O material é reconhecido por sua durabilidade, resistência e facilidade de manutenção.
Na entrada pela Rua do Meio, estão sendo preparadas rampas de acessibilidade. Um dos destaques do piso térreo é a padaria artesanal, já finalizada, com coifa, bancada e demais equipamentos instalados.
Mezanino e segundo andar
No mezanino e no segundo andar, guarda-corpos de vidro com altura padrão de 1,10 metro garantirão a segurança dos frequentadores, tanto moradores quanto turistas. A infraestrutura de climatização já está pronta, e o teto em PVC com acabamento que imita madeira traz um ar moderno ao ambiente.
Os espaços do mezanino, destinados ao coworking, e os boxes do segundo pavimento, voltados para restaurantes, já começaram a receber pisos de porcelanato; em alguns boxes, a cerâmica nas paredes também já foi instalada.
A reforma e o restauro do Mercado Municipal de Santos contam com um investimento total de R$ 28,7 milhões, provenientes do Dadetur, Fundurb e do próprio Município. Desse montante, R$ 7,2 milhões foram destinados ao exterior do prédio, enquanto R$ 21,5 milhões correspondem à reforma interna. A execução da obra está a cargo da Construtora 2N Engenharia.
5 – Como o Parque Valongo se articula com os demais projetos de revitalização do centro histórico de Santos (como o Parque Palafitas e o Mercado Municipal) para promover uma transformação urbana integrada?
Dentro das estratégias de reurbanização do Centro, um dos pilares é o repovoamento da região, com a atração de novas moradias – afinal, essa já foi a área mais habitada da cidade. A revitalização dos principais ativos do Centro e sua reconexão de forma intuitiva, acessível e moderna tende a aumentar a circulação de pessoas, o turismo e o comércio local. A reforma do Mercado Municipal, aliada à requalificação do Monte Serrat, do Parque Valongo e do Centro Histórico, também se articula com vias de acesso e transporte público integrado e remodelado.
Outro ponto relevante é o perfil social da área do Mercado, marcada por vulnerabilidades. O novo equipamento, além de recuperar sua função original de comércio de frutas e artigos variados, incorporará espaços como antiquário, salão de beleza e áreas para capacitação nas áreas de beleza, culinária, cinema e artes. O objetivo é transformá-lo em um espaço criativo e inclusivo, que ofereça oportunidades de formação, convivência e integração cultural.
Em relação às etapas da obra, o prédio principal está na fase final de revitalização. Nas próximas semanas, começam as intervenções no entorno, incluindo a Bacia do Mercado, que contará com uma nova estação de catraias – tradicional meio de transporte da cidade. A ideia é resgatar a conexão histórica do mercado com a água, permitindo passeios turísticos com destino ao Parque Valongo, às comunidades caiçaras e ao mangue. A finalização das obras do VLT, que inclui uma estação em frente ao Mercado, reforça ainda mais essa integração urbana.
O Parque Valongo, embora parte do projeto de revitalização do Centro, possui vocação própria. A proposta é recuperar antigos armazéns, integrando-os ao futuro Terminal de Passageiros e aos atrativos do parque. Por se tratar de uma área da União, o projeto superou entraves históricos da relação entre os entes federativos envolvidos.
O projeto propõe um resgate simbólico da relação entre a cidade e a água. Santos nasceu da conexão com o porto e o mar, mas, com o tempo e a modernização do porto, essa relação se perdeu. O Parque Valongo visa restabelecer esse vínculo, transformando a água em um ativo turístico, cultural e de lazer.
A Fase 1 do Parque Valongo já foi implantada. A Fase 2, que contempla os demais armazéns, será executada com apoio da Prefeitura, da Autoridade Portuária e da União. Paralelamente, o município segue promovendo incentivos ao repovoamento e à revitalização das vias do Centro Histórico, com obras de pedestrianização, criação de calçadões e qualificação de espaços públicos.
Entre as próximas etapas, estão a reforma dos demais armazéns e da Casa de Pedra, além da instalação da segunda passarela, que conectará o parque à região da Rua XV, onde fica a Bolsa Oficial do Café. O projeto também inclui o novo terminal de passageiros junto ao Armazém 1, atualmente em fase final de avaliação pela ANTAQ. A expectativa é que esse terminal seja um marco para o turismo e para a economia local, atraindo novos negócios, hotéis, restaurantes e serviços diversos.
6 – Quais são os próximos passos para a conclusão do Parque Valongo, quais os investimentos a serem feitos e qual o impacto esperado dessa revitalização para o turismo e a economia da região?
A Prefeitura de Santos tem promovido ações para impulsionar a revitalização urbana e econômica do Centro. Entre as iniciativas que estimulam a atividade na região, destacam-se os programas Invest Centro (orientação e consultoria para investidores), Sala do Empreendedor (facilitação na abertura de empresas) e o recém-criado Happy Centro (flexibilização de regras para bares e restaurantes), além das leis de incentivo Santos Criativa e Alegra Centro, que oferecem isenções e descontos fiscais a prestadores de serviços e comércios locais.
Essas medidas complementam projetos estruturantes, como a implantação do VLT, a consolidação do Parque Valongo, o primeiro retrofit habitacional da cidade e a futura instalação do terminal de cruzeiros no Valongo – iniciativas que se conectam aos principais equipamentos turísticos do Centro Histórico.
* Entrevista realizada com o apoio da Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Santos
Confira também a entrevista que a Secretária de Infraestrutura e Edificações de Santos, Larissa Cordeiro, forneceu para a Comunitas: https://www.instagram.com/p/DJEh0YqAtw3/
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