Webinário reúne especialistas de países em desenvolvimento para discutir tendências do ISC em 2025
Encontrou discutiu como empresas e organizações podem ampliar seu impacto social diante das mudanças políticas, econômicas e tecnológicas


Na manhã de ontem (27), Patricia Loyola, Diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas, participou de um webinário promovido pela Trialogue, consultoria sul-africana especializada em responsabilidade corporativa, com mais de duas décadas de experiência no setor. O evento, intitulado “Tendências que estão moldando o Investimento Social Corporativo e o desenvolvimento em 2025”, reuniu um público de 230 pessoas com especialistas de diferentes países para debater os desafios e oportunidades que impulsionam a agenda de impacto social.
O cenário do Investimento Social Corporativo (ISC) está em constante transformação, impulsionado pelo avanço de políticas globais, novos modelos de financiamento e parcerias orientadas por impacto. Além disso, a tecnologia tem redefinido a forma como empresas promovem mudanças sociais. Diante desse contexto dinâmico, profissionais do setor precisam se adaptar a essas transformações, alinhando suas ações às estratégias de negócios e às prioridades nacionais e internacionais.
Durante o encontro, os painelistas discutiram como empresas e organizações do terceiro setor podem aproveitar as tendências emergentes para ampliar seu impacto ao longo do ano. A troca de insights abordou temas como colaboração, inovação e estratégias para enfrentar desafios crescentes em um cenário global marcado por mudanças políticas, econômicas e tecnológicas. Também foi reforçada a importância de um impacto social sustentável, que exige adaptação contínua e ações coordenadas entre diferentes setores.
O debate destacou que, em um mundo cada vez mais interconectado, colaboração e inovação são fundamentais para maximizar os resultados das iniciativas sociais. Empresas, governos e sociedade civil precisam atuar de forma conjunta, compartilhando conhecimento e recursos para enfrentar desafios globais de maneira eficaz.
Além de Patricia Loyola, o webinário contou com a participação de Nick Rockey, Diretor Administrativo da Trialogue; Feryal Domingo, Diretora Interina da Inyathelo, organização sul-africana dedicada ao fortalecimento da sociedade civil e ao desenvolvimento sustentável; e Priya Naik, Fundadora e Diretora Executiva da Samhita Social Ventures, instituição indiana voltada para o desenvolvimento social e impacto coletivo.
Perspectiva do ISC no Brasil
Durante o webinário, Patricia Loyola destacou a importância da colaboração e inovação no ISC no Brasil. Ela ressaltou, que no Brasil, é observado entre as empresas um modelo híbrido, que combina intervenções diretas de curto prazo com parcerias estratégicas de longo prazo, permitindo respostas mais eficazes a desafios sociais complexos, como desigualdade e mudanças climáticas. Além disso, enfatizou a relevância do alinhamento entre as iniciativas corporativas e as políticas públicas para ampliar o impacto social.
Loyola também abordou o papel da tecnologia, como a Inteligência Artificial (IA), no fortalecimento do impacto social e na criação de soluções inovadoras para problemas urgentes. Diante de um cenário de mudanças rápidas e incertezas, ela defendeu que as empresas devem investir em estratégias criativas e inclusivas e o fortalecimento da capacidade institucional das organizações sem fins lucrativos. “O que vemos aqui é que as coalizões e parcerias são um caminho claro para ganhar escala e para fazer multi-stakeholders e olhar para problemas complexos do sistema que podem ser resolvidos em parceria”, afirmou Loyola.
Por fim, ela destacou a crescente preocupação do setor privado com questões ambientais e sociais, como aquecimento global e justiça social, e reforçou a necessidade de acelerar a inovação e a colaboração global. Segundo Loyola, uma abordagem coletiva e estratégica permitirá que empresas, governos e a sociedade civil enfrentem desafios sociais e ambientais de forma mais eficaz e sustentável.
Perspectivas do ISC na África do Sul e na Índia
Os painelistas da África do Sul e da Índia discutiram os desafios e oportunidades no campo do ISC e do desenvolvimento social, enfatizando a crescente integração do ISC nas estratégias empresariais. Ambos destacaram a importância do alinhamento entre os investimentos sociais e os objetivos estratégicos das companhias.
Nick Roche, da África do Sul, ressaltou a necessidade de modelos de financiamento inovadores, como o financiamento baseado em resultados, e o foco no impacto sistêmico, ampliando os efeitos das ações para além dos beneficiários diretos. Ele também abordou a evolução do ISC, de abordagens reativas para modelos mais estratégicos e colaborativos, capazes de promover mudanças estruturais por meio de parcerias multissetoriais.
Já Priya Naik abordou o cenário indiano, onde a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) tornou-se uma exigência legal, levando a um maior envolvimento dos conselhos de administração e executivos de alto nível. Ela destacou a transição de iniciativas isoladas para colaborações intersetoriais e citou exemplos de empresas que utilizam recursos da RSC para fortalecer cadeias de suprimentos e promover o empreendedorismo, ampliando o impacto social.
Na Índia, a redução do financiamento de agências internacionais, como a USAID, tem pressionado o setor privado a assumir um papel mais estratégico, com a adoção de mecanismos como doações retornáveis e garantias de crédito para reciclagem de recursos e ampliação do impacto. Naik também destacou o potencial da tecnologia e da infraestrutura digital para fortalecer os programas sociais e melhorar sua eficácia.
Ambos os países, assim como o Brasil, enfrentam desafios como a redução de financiamento estrangeiro e a necessidade de adaptação a um cenário global em rápida transformação. Na África do Sul, Feryal Domingo apontou a pressão sobre as organizações sem fins lucrativos para se ajustarem a novas regulamentações e à transformação digital, ao mesmo tempo em que lidam com a crescente demanda por seus serviços.
Ela enfatizou a importância do fortalecimento da governança e da sustentabilidade financeira das organizações do terceiro setor, sugerindo que os investimentos sociais corporativos devem ir além do financiamento de programas e incluir o desenvolvimento institucional dessas entidades.
Confira aqui o encontro completo (em inglês):
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