Comunitas Institucional, Modernização da Administração | 28/05/2026

2º dia do Encontro Rede Juntos reúne especialistas e propõe agenda estruturante para o desenvolvimento do Brasil

Encontro discute produtividade, eficiência do Estado e integração de políticas sociais como bases para um desenvolvimento sustentável e de longo prazo 

Crédito da Imagem: Rodrigo Meneghello

Ao longo de todo o dia de ontem (27), a Comunitas realizou o segundo dia do ciclo de debates do Encontro Rede Juntos, reunindo especialistas de diversos setores e gestores públicos para debater caminhos voltados ao fortalecimento das agendas estruturantes do Brasil. 

Veja aqui como foi o primeiro dia: Especialistas apontam caminhos para o fortalecimento da segurança pública no Brasil

Com foco em equilíbrio fiscal, eficiência administrativa, produtividade e integração de políticas sociais, o encontro consolidou-se como um espaço estratégico para a construção de propostas de longo prazo voltadas ao desenvolvimento do país. Orientados por resultados e evidências, os debates realizados buscam subsidiar a elaboração de um documento propositivo capaz de transformar recomendações técnicas em ações concretas para a melhoria da qualidade de vida da população.

Ao longo da programação, os participantes reforçaram que a modernização do Estado depende da convergência entre responsabilidade fiscal, qualificação do gasto público, capacidade de planejamento e coordenação entre políticas públicas. Os painelistas apresentaram diagnósticos sobre a rigidez orçamentária, os entraves da burocracia estatal, os desafios da baixa produtividade econômica e as falhas de integração na execução das políticas sociais, defendendo que eficiência administrativa, crescimento sustentável e inclusão social são agendas complementares e indispensáveis para o desenvolvimento do país.

Para aprofundar o debate e inspirar novos caminhos, o encontro contou com a participação dos economistas Bruno Funchal e Rafael Araújo; dos especialistas em gestão pública, o pesquisador e professor do Insper, Fernando Schuler, o pesquisador, Vinicius Botelho; e o diretor-executivo do Instituto Millenium, Wagner Lenhart; dos analistas de política econômica, a economista Ana Paula Vescovi; André Luiz Sacconato, membro da FecomercioSP, e do professor da Fundação Getúlio Vargas, Nelson Marconi; e das especialistas em desenvolvimento social, a professora do Insper, Laura Muller, a pesquisadora, Mariel Deak; e a Superintendente da Fundação Arymax, Vivianne Naigeborin.

Painel 1 – Equilíbrio Fiscal

Crédito da Imagem: Rodrigo Meneghello

O painel dedicado ao equilíbrio fiscal, que contou com a participação dos economistas Bruno Funchal e Rafael Araújo, debateu os entraves estruturais que limitam a estabilidade econômica e o crescimento sustentável do Brasil. Os painelistas ressaltaram que o principal desafio do país não é a ausência de marcos fiscais modernos, mas sim a rigidez do orçamento público. Esse cenário também é agravado pelo grande volume de despesas obrigatórias, pela indexação automática de gastos e pela baixa flexibilidade na gestão dos recursos disponíveis. 

Entre os temas debatidos, destacou-se a importância de ampliar a flexibilidade orçamentária, incluindo a discussão sobre vinculações obrigatórias, com o objetivo de aumentar a eficiência do gasto público e adequá-lo às necessidades atuais da sociedade. Também foi ressaltada a importância da revisão de gastos tributários considerados ineficientes.

“A discussão do ajuste fiscal sério não é uma agenda de austeridade vazia ou de maldade econômica. Longe de ser um fim em si mesmo, o ajuste fiscal é o instrumento técnico indispensável que tem como objetivo final melhorar o bem-estar real das pessoas na ponta”, declarou Funchal. 

Painel 2 – Eficiência do Estado

Crédito da Imagem: Rodrigo Meneghello

No segundo painel do dia, Fernando Schuler, Vinicius Botelho e Wagner Lenhart examinaram as barreiras estruturais que impedem o setor público de entregar serviços de qualidade compatíveis com o volume da arrecadação tributária. Os participantes destacaram que o modelo administrativo vigente é excessivamente rígido, burocrático e baseado em normas concebidas para uma realidade institucional e tecnológica já ultrapassada. Entre os principais entraves apontados, destacam-se uma gestão de pessoas defasada, a manutenção de uma lógica orçamentária incremental e uma cultura de controle excessivamente formalista, que desencoraja a inovação e favorece a paralisia decisória. “No final das contas, o incentivo sistêmico da máquina pública atual é desenhado para não inovar, para não assumir responsabilidades e para manter o status quo”, declarou Lenhart.

A modernização do aparelho estatal, segundo os especialistas, pressupõe a convergência entre reforma administrativa, qualificação do gasto público e consolidação de uma gestão orientada por evidências. Nesse sentido, foram mencionadas iniciativas que podem ser promissoras, como a avaliação de impacto de políticas públicas e o uso estratégico da inteligência artificial para a integração de bases de dados. 

Para os painelistas, focar em evidências é a única forma de corrigir distorções graves, já que, nas palavras de Botelho, “a gestão pública gasta milhões medindo a burocracia interna, mas é cega para o impacto real na vida do cidadão”. Os debatedores reiteraram que transpor esse diagnóstico exige um esforço político e cultural para alinhar a agenda de eficiência às demandas reais da sociedade, evidenciando que a modernização do Estado se traduz diretamente em melhores serviços, redução de desperdícios e alocação maximizada de recursos para o desenvolvimento social.

Painel 3 – Política Econômica

Crédito da Imagem: Rodrigo Meneghello

O painel de Política Econômica, composto por Ana Paula Vescovi, André Luiz Sacconato e Nelson Marconi, concentrou-se nos fatores estruturais que limitam o crescimento sustentável e os ganhos de produtividade da economia brasileira. Os painelistas destacaram que a estabilidade macroeconômica continua sendo condição indispensável para o fortalecimento da competitividade do país. Nesse contexto, ressaltou-se que o ajuste fiscal deve ser compreendido como instrumento para reduzir juros reais estruturalmente elevados e aumentar a previsibilidade necessária às decisões de longo prazo.  

Os debatedores defenderam que o Brasil precisa avançar para uma agenda de produtividade baseada em ambiente de negócios mais eficiente, segurança jurídica, modernização regulatória e fortalecimento institucional. Destacou-se que a produtividade depende não apenas de capital e tecnologia, mas também da capacidade de coordenação entre Estado e setor privado, da qualidade da gestão pública e da estabilidade das regras econômicas.  

O painel também enfatizou que a agenda econômica se conecta diretamente a outras agendas estruturantes do país, especialmente educação, segurança pública e fortalecimento das instituições. Os participantes ressaltaram que a educação básica e a primeira infância possuem elevado retorno econômico e social no longo prazo, ao ampliar o capital humano e capacidade de incorporação tecnológica. Da mesma forma, segurança pública, combate à corrupção, redução da litigiosidade, modernização do Judiciário e continuidade das reformas no mercado de capitais foram apontados como fatores essenciais para reduzir custos econômicos invisíveis, elevar a confiança e criar um ambiente mais favorável ao investimento e ao empreendedorismo.  

Por fim, os painelistas destacaram que o atual redesenho geoeconômico global abre oportunidades relevantes para o Brasil em áreas como minerais críticos, energia renovável, infraestrutura e bioeconomia. No entanto, ressaltou-se que transformar vantagens naturais em crescimento sustentado exigirá estratégia nacional de longo prazo, com maior capacidade de planejamento e execução. O debate reforçou que o desenvolvimento brasileiro dependerá da construção de uma agenda capaz de combinar estabilidade macroeconômica, eficiência do Estado, execução da reforma tributária, inovação, investimento produtivo e coordenação institucional duradoura.

Painel 4 – Política Social e de Renda

Crédito da Imagem: Rodrigo Meneghello

O último painel do dia, que reuniu Laura Muller, Mariel Deak e Vivianne Naigeborin, debateu os desafios da execução das políticas sociais no país, destacando que o principal entrave não é a ausência de direitos ou marcos legais, mas a baixa integração dos serviços públicos na ponta. As especialistas apontaram que a administração pública ainda opera de forma fragmentada, em silos burocráticos, dificultando respostas articuladas às múltiplas vulnerabilidades das famílias

Casos práticos apresentados ao longo do debate mostraram como falhas de coordenação intersetorial comprometem o acesso a direitos fundamentais, mesmo quando os sistemas registram regularidade formal. “Isso é burocracia disfuncional. Nós não temos hoje uma governança que integre a assistência, a saúde e a educação no nível do microterritório”, declarou Deak.

Para enfrentar esses desafios, as debatedoras defenderam um modelo de governança baseado na intersetorialidade, na atuação territorializada e no uso estratégico de dados para aprimorar as políticas públicas. Entre as propostas apresentadas estiveram a modernização do Cadastro Único, a criação de regras de transição gradual para beneficiários do Bolsa Família inseridos no mercado formal e a reformulação dos programas de qualificação profissional alinhados às demandas reais do mercado. 

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