Comunitas 13/12/2024

Dia Nacional de Combate à Pobreza: Como Minas Gerais pode inspirar a criação de políticas públicas mais inclusivas em todo país

Confira as iniciativas do governo mineiro que abordam os desafios da vulnerabilidade urbana por meio de programas de capacitação profissional e geração de oportunidades de emprego e renda

Crédito da Imagem: Agência Brasil

No dia 14 de dezembro, é celebrado o Dia Nacional de Combate à Pobreza. A data, que foi instituída em 2003, tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre o elevado número de pessoas que ainda vivem em situação de extrema pobreza e de alta vulnerabilidade no Brasil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 5,8% da população brasileira vive abaixo da linha de pobreza, destacando a urgência de ações para reverter esse cenário.

O enfrentamento à miséria é um desafio complexo, que exige o engajamento de todos os setores da sociedade, incluindo governos, empresas, organizações da sociedade civil e cidadãos. Contudo, a solução passa, necessariamente, pela criação e fortalecimento de políticas públicas que promovam a inclusão social e combatam as desigualdades estruturais. É papel do Estado garantir acesso a direitos fundamentais, como saúde, educação, alimentação e moradia, e implementar estratégias de desenvolvimento que gerem oportunidades para população e rompam o ciclo da pobreza.

Em junho de 2023, a Comunitas apoiou Minas Gerais na realização de um mapeamento qualitativo para identificar as necessidades da população urbana em situação de vulnerabilidade social. A iniciativa abrangeu sete cidades mineiras — Belo Horizonte, Santa Luzia, Montes Claros, Januária, Uberlândia, Juiz de Fora e São Francisco — e contou com entrevistas e levantamentos de campo envolvendo cidadãos e servidores de equipamentos públicos. 

Ao mapear as percepções e experiências, tanto da população quanto dos servidores, o estudo permitiu construir um diagnóstico da realidade local, destacando pontos convergentes e divergentes entre as populações entrevistadas. Esse trabalho buscou fornecer subsídios para a criação de indicadores capazes de monitorar o impacto das políticas públicas no combate à pobreza e na promoção da inclusão social, além de identificar os principais desafios enfrentados pela população em vulnerabilidade, orientando a formulação de ações mais eficazes no Estado.

Mães solo, jovens e mulheres: os grupos mais afetados pela pobreza em Minas Gerais

Crédito da Imagem: Portal Bem Paraná

No mapeamento, foram identificados vários desafios que dificultam a criação de estratégias eficientes para romper o ciclo da pobreza no Estado. Primeiramente, a falta de formação profissional é uma grande barreira para a inclusão produtiva, uma vez que falta à muitas pessoas habilidades necessárias para o mercado de trabalho. 

Além disso, destacam-se como os grupos mais vulneráveis: mães solo; mulheres responsáveis pela manutenção da casa; mulheres que cuidam de outros familiares; jovens em busca de trabalho e qualificação; mulheres acima de 40 anos sem experiência ou qualificação; jovens e homens que não enxergam a possibilidade de um emprego CLT. 

Dentre os desafios que impedem a inclusão no mercado de trabalho, podem-se citar: o tráfico; a violência; demandas de saúde; e falta de transporte ou de infraestrutura, como a falta de asfalto. Outros aspectos também foram levantados como elementos que dificultam o trabalho formal, como a falta de entendimento por parte de jovens sobre carteira de trabalho, trajetos complexos que impedem a conciliação das rotinas dos pais e responsáveis com as dos filhos; gastos com cuidadores dos filhos, alimentação e transporte; percepção por parte dos entrevistados de que o trabalho informal é mais acessível; e rotinas desgastantes que sobrecarregam, sobretudo, as mulheres.

Estereótipos e discriminação também são apontados como obstáculos para o enfrentamento da pobreza no Estado, pois perpetuam a exclusão social ao dificultar a inclusão produtiva. Em algumas áreas urbanas, a escassez de vagas de emprego e oportunidades de empreendedorismo também são problemáticos, limitando as perspectivas de trabalho e desenvolvimento econômico dessas comunidades.

As ações do governo mineiro para combater a pobreza

Aula inaugural do programa Minas Forma em Betim. Crédito da Imagem: Pedro Chimicatti/Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social MG

Os insights provenientes dessa pesquisa já estão servindo de base para as ações e propostas do governo mineiro, o que inclui a implementação de programas voltados para a geração de renda e qualificação profissional, além de iniciativas visando à melhoria do acesso à habitação digna e à segurança alimentar.

Um exemplo é o programa Minas Forma, que oferece cursos profissionalizantes para jovens e mulheres, promovendo a inclusão produtiva e a geração de renda. Com um investimento de R$ 10 milhões, o programa visa capacitar mais de 8 mil pessoas e tem como meta alcançar 20 novas turmas

Na área da habitação, a iniciativa “Moradas Gerais” busca melhorar as condições de vida de famílias em situação de vulnerabilidade, realizando reformas e adaptações em suas moradias. Até o momento, mais de 2 mil famílias em 56 municípios foram beneficiadas pelo programa.

A primeira infância também é um foco das políticas públicas mineiras. O governo estadual estabeleceu diretrizes para a formulação e implementação de programas voltados para crianças de 0 a 6 anos e suas famílias, especialmente as chefiadas por mães solo. Iniciativas como o “Leite para Primeira Infância” e o “Kit Maternidade” visam garantir o desenvolvimento integral das crianças e o bem-estar das famílias.

Vale ressaltar que o Plano de Enfrentamento da Pobreza também está alinhado aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da ONU, com foco em áreas como erradicação da pobreza, segurança alimentar, geração de emprego e redução das desigualdades. 

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