Comunitas 24/03/2025

Entrevista: Paulo Galli fala sobre o papel das parcerias público-privadas na transformação urbana de São Paulo

Em entrevista à Comunitas, o Diretor-Presidente da SP Parcerias compartilha lições da concessão do Ibirapuera, a expansão de CEUs em áreas vulneráveis e a revitalização de equipamentos históricos com investimento privado

Crédito da Imagem: Reprodução Instagram @paulojosegalli

Na última sexta-feira (21), a Comunitas reuniu especialistas e gestores públicos para o primeiro Encontro Rede Juntos do ano para debater a gestão de contratos em parcerias público-privadas voltadas à educação e à administração de parques urbanos. Entre os participantes, pode-se destacar Paulo José Galli, Diretor-Presidente da SP Parcerias, sociedade de economia mista vinculada à Prefeitura de São Paulo e responsável por estruturar projetos de concessão e PPPs na cidade.

Com experiência em modelos inovadores, como a concessão do Parque Ibirapuera à Urbia Parques – que já atraiu mais de R$ 250 milhões em investimentos -, Galli compartilhou insights ao longo do evento sobre como essas parcerias podem transformar espaços públicos, garantindo infraestrutura qualificada, segurança e acesso democrático.

Em entrevista para a Comunitas, o gestor compartilha sua visão sobre o impacto das concessões na modernização da gestão urbana e aborda a importância da transparência e do equilíbrio contratual nos processos de PPPs. 

Confira!

1 – A SP Parcerias tem um papel fundamental na estruturação de PPPs e concessões. Quais são os principais critérios e mecanismos que vocês utilizam para garantir a transparência, a eficiência e a qualidade dos serviços prestados pelas empresas parceiras?

Em primeiro lugar, é importante destacar que a São Paulo Parcerias é uma empresa municipal, vinculada à Prefeitura de São Paulo, criada para gerir processos de parcerias e concessões dentro do município – embora eventualmente preste serviços a outras cidades.

No que diz respeito à transparência, seguimos rigorosamente todos os requisitos legais e vamos além: nossos processos são precedidos por pesquisas de campo e consultas às comunidades afetadas. Ouvimos moradores, frequentadores e stakeholders do entorno para incorporar suas necessidades e perspectivas aos projetos.

Além disso, realizamos consultas e audiências públicas para envolver tanto a sociedade civil quanto o setor privado. O objetivo é assegurar que os projetos elaborados pela SP Parcerias priorizem o interesse público – seja na revitalização de espaços, na melhoria de serviços ou no impacto positivo para a comunidade.

Em resumo, o cidadão está no centro de todas as nossas iniciativas, garantindo que as concessões e parcerias resultem em benefícios concretos para a população.

2 – O senhor poderia detalhar como o modelo de concessão do Parque Ibirapuera, estruturado pelo SP Parcerias, tem impactado não apenas o próprio parque, mas também outros espaços públicos menores e menos visíveis da cidade?

A concessão do Parque Ibirapuera foi realizada em conjunto com mais cinco parques localizados na periferia de São Paulo. Um dos principais objetivos desse modelo foi garantir que a mesma qualidade de infraestrutura encontrada no Ibirapuera – como banheiros bem conservados e manutenção adequada – fosse replicada nesses espaços menores, promovendo equidade no acesso a áreas verdes de qualidade em todas as regiões da cidade.

Além dos benefícios ambientais, o processo de concessão trouxe um forte impulso à cultura. O Ibirapuera, por exemplo, registrou um aumento significativo na quantidade e na diversidade de eventos culturais, ampliando sua vocação como espaço de entretenimento e arte para a população.

Outro aspecto fundamental foi a preservação do patrimônio histórico. A concessão permitiu a restauração de equipamentos tombados que estavam deteriorados, como o Pavilhão da Bienal (Pavilhão Ciccillo Matarazzo) e a Marquise. Esse modelo se estende a outros projetos na cidade, incluindo o Estádio do Pacaembu, o Cemitério da Consolação e os Mercados Municipais – totalizando 37 equipamentos públicos que estão sendo revitalizados com recursos privados, sem ônus para o poder público

3 – Como a concessão integrada de parques com diferentes potenciais de receita, como exemplificado pelo caso de contratualização do Parque Ibirapuera, tem contribuído para a sustentabilidade financeira e melhoria desses espaços? 

O modelo de concessões adotado por São Paulo nos últimos sete anos tem se mostrado um caminho sem volta, trazendo benefícios em três dimensões fundamentais. Em primeiro lugar, na qualidade dos serviços, com espaços públicos mais bem cuidados e acessíveis à população, além de infraestrutura modernizada e serviços qualificados. Em segundo plano, destacam-se os benefícios econômicos: além da redução de custos para o município, observamos a geração de empregos, o aumento da atividade econômica nos entornos dos equipamentos e a expansão da oferta cultural e esportiva. Por fim, e mais importante, todo o processo mantém o foco absoluto no cidadão – desde o planejamento até a execução, garantindo que os usuários tenham experiências dignas e respeitosas nos equipamentos públicos.

Essa estratégia de parcerias tem demonstrado como a colaboração entre poder público e iniciativa privada pode transformar positivamente a cidade, beneficiando tanto as finanças municipais quanto a qualidade de vida da população.

4 – Como tem sido construído, em São Paulo, ações de contratualização na educação?

Temos diversos projetos em andamento, muitos já consolidados com sucesso. Um dos destaques é o primeiro contrato de CEUs (Centros Educacionais Unificados) na cidade de São Paulo, com previsão de entrega de cinco novas unidades ainda este ano. Além disso, outro projeto já foi contratado e aguarda a ordem de serviço para a construção de mais cinco CEUs na capital.

É importante ressaltar que a implantação desses equipamentos segue critérios técnicos bem definidos. Antes da alocação, realizamos estudos aprofundados para direcionar os CEUs às regiões mais vulneráveis da cidade. Essa estratégia garante que os cidadãos que mais necessitam tenham acesso a equipamentos públicos de qualidade.

Nosso objetivo é claro: oferecer os melhores serviços e infraestrutura às comunidades que mais demandam investimentos, promovendo equidade e desenvolvimento social em São Paulo.

5 – Na sua visão, quais são os maiores casos de sucesso de contratualização no município de São Paulo?

São Paulo possui diversos projetos de sucesso em andamento. Além do Parque Ibirapuera, destaco especialmente os CEUs e, ainda, os terminais de ônibus da cidade.

Atualmente, já concedemos dois lotes de terminais, e o terceiro e último está em fase final de contratação, com previsão de assinatura nos próximos 30 dias. Esses espaços são estratégicos: atendem diariamente milhões de passageiros, principalmente moradores da periferia que dependem do transporte público.

Os terminais já reformados e os que estão em processo de concessão oferecem banheiros com padrão equivalente ao de shopping centers e ao próprio Ibirapuera. Além disso, a segurança é reforçada por câmeras integradas ao sistema Smart Sampa, enquanto o conforto e a acessibilidade são garantidos por uma sinalização clara e uma iluminação adequada.

Essa iniciativa reflete o compromisso da gestão municipal em garantir qualidade urbana para todos os cidadãos, especialmente nos equipamentos que impactam diretamente o dia a dia da população.

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