Comunitas Institucional | 02/04/2026

Gestão por dados e inovação em segurança marcam encontro no Rio de Janeiro

Com presença de autoridades municipais e lideranças da Comunitas, a Reunião de Governança destacou avanços estratégicos na segurança pública e no equilíbrio fiscal da cidade

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Lideranças da Comunitas e da Prefeitura do Rio de Janeiro se reuniram, na manhã desta quinta-feira (2) para mais uma Reunião de Governança. O encontro marcou o início de um novo ciclo da parceria – que se desenvolve desde 2021 – e evidenciou os avanços na modernização da gestão municipal, especialmente na área de segurança pública, com base em dados, tecnologia e integração institucional. 

No centro desta estratégia está o Sistema Municipal de Segurança, que articula três pilares: o CompStat Rio, o centro de inteligência CIVITAS e a Divisão de Elite da Guarda Municipal – uma unidade especializada com foco em policiamento preventivo e ostensivo. A abordagem combina análise de dados em tempo real, policiamento orientado por evidências e uso intensivo de tecnologia para prevenção e resposta ao crime.

Ao longo da reunião, secretários e lideranças compartilharam os principais resultados já alcançados e os próximos passos das iniciativas prioritárias, reforçando a consolidação de um modelo de gestão orientado a resultados, com forte capacidade de execução e monitoramento contínuo.

O encontro contou com a participação do novo prefeito Eduardo Cavaliere, que assumiu o cargo após a saída de Eduardo Paes para concorrer às eleições deste ano; do deputado federal Pedro Paulo Teixeira; e dos secretários municipais Andrea Senko (Fazenda e Planejamento); Leandro Matieli (Casa Civil); Breno Carnevale (Segurança Urbana); Davi Carreiro (chefe executivo da CIVITAS) e Thiago Dias (secretário-geral do CompStat). 

Representando a Comunitas, participaram a presidente, Regina Esteves; a diretora de Estratégia e Parcerias, Ronyse Pacheco; e demais participantes da equipe da organização. Também marcaram presença os líderes do Núcleo de Governança, José Roberto Marinho, Luiz Ildefonso Simões Lopes e Manoel Cintra.

Ao comentar os avanços apresentados, o prefeito ressaltou o papel da Comunitas na construção da agenda de segurança pública do município, destacando a importância da troca de experiências e do apoio técnico na implementação das iniciativas:

“A Comunitas tem sido fundamental para despertar em nós a visão de que era possível. Quando fomos a Nova York [durante a 5ª edição do Programa de Formação Internacional] e vimos a sala do CompStat, percebemos que não era nada realmente muito complexo. Mostrou que era possível – era uma questão de gestão, decisão política, acompanhamento e cobrança de resultados. Estamos muito agradecidos e otimistas, porque está só começando”, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere.

Equilíbrio fiscal

A secretária Andrea Senko apresentou os resultados da gestão fiscal, destacando a consistência dos indicadores e a ampliação da capacidade de investimento da cidade. O orçamento para 2026 ultrapassou R$ 50 bilhões pela primeira vez, com crescimento acumulado de 72% desde 2021 – acima da inflação do período, de 44%.

Ao longo dos últimos anos, a Prefeitura já investiu cerca de R$ 20 bilhões, mantendo o controle das despesas com pessoal abaixo do limite legal e a dívida em níveis sustentáveis. Esse resultado é acompanhado por uma evolução da saúde fiscal do município, que mantém classificação CAPAG B desde 2022 – após sair de um cenário mais restritivo em 2021 – e não apresenta pendências no CAUC. Ambos os indicadores reforçam a capacidade de gestão responsável e o acesso a crédito com garantia da União.

“Sem equilíbrio fiscal, não se consegue realizar as ações de que a prefeitura precisa. Quando assumimos em 2021, havia uma insuficiência total de caixa – e conseguimos reverter isso já no primeiro ano”, afirmou Senko.

Modernização da gestão na CIVITAS

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Um dos pontos mais importantes da reunião foi a apresentação dos avanços da CIVITAS, que vem se consolidando como um dos principais centros de inteligência aplicada à segurança pública no país.

Desde junho de 2024, o sistema já acumulou mais de 3,5 bilhões de registros de passagem de veículos, com uma média de mais de 7 milhões de leituras por dia, gerando 250 mil alertas em tempo real e mantendo atualmente 585 veículos sob monitoramento ativo. Além disso, a central apoia diretamente investigações conduzidas por diferentes órgãos, já tendo contribuído para mais de 4.300 inquéritos e investigações criminais, em parceria com instituições como Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público e Tribunal de Justiça. 

A infraestrutura também vem sendo ampliada e hoje a cidade conta com cerca de 4 mil câmeras inteligentes, com meta de chegar a 20 mil até 2028, consolidando um dos maiores sistemas de cerco eletrônico do país. Esse crescimento acelerado trouxe novos desafios operacionais. Segundo Davi Carreiro, o volume de demandas recebidas pela central cresceu mais de 150% no primeiro trimestre, acompanhando a expansão da operação e reforçando a necessidade de evolução contínua dos sistemas internos.

Nesse contexto, em parceria com a Comunitas, está sendo implementado um novo módulo integrado de gestão de demandas. O projeto tem como objetivo reorganizar e padronizar os fluxos de informação da central, que hoje ainda opera com diferentes sistemas e etapas manuais. A iniciativa busca consolidar esses processos em uma plataforma única, capaz de integrar dados de diversas fontes, automatizar tarefas operacionais e estruturar um fluxo contínuo e rastreável de tratamento das ocorrências.

Na prática, isso significa reduzir o tempo de resposta às demandas, melhorar a coordenação entre equipes e ampliar a capacidade analítica da CIVITAS – permitindo não apenas responder com mais agilidade, mas também gerar inteligência mais qualificada para prevenção de crimes. Além disso, o projeto foi desenhado para garantir perenidade, com soluções que possam ser mantidas e evoluídas pela própria equipe ao longo do tempo.

“Segurança, adaptabilidade e autonomia são premissas fundamentais. Não pode haver ruptura da cultura operacional – o sistema precisa evoluir junto com a operação”, explicou Carreiro.

Divisão de Elite da Guarda Municipal: policiamento orientado por dados

Outra apresentação de destaque na reunião foi a do secretário municipal de Segurança Urbana, Breno Carnevale, que também integra a rede Comunitas e participou de iniciativas de formação internacional promovidas pela organização. A experiência, que inclui passagens por Cambridge e por reuniões no CompStat, em Nova York, influenciou diretamente sua visão sobre o papel da gestão e do uso de dados na segurança pública.

Saiba mais: Participantes destacam impacto da Formação Internacional promovida pela Comunitas

Delegado de carreira, Carnevale assumiu a secretaria após esse processo de formação e vem liderando a implementação da Força Municipal, que foi criada com a missão de coibir furtos e roubos e atuar de forma complementar às polícias.

A Força Municipal de Segurança é hoje uma das principais apostas da Prefeitura para transformar o enfrentamento aos crimes patrimoniais. Atualmente, 600 agentes já formados atuam nas ruas após mais de 500 horas de treinamento. O planejamento da atuação é totalmente orientado por dados, com foco especial nas chamadas “manchas criminais”.

A operação é estruturada a partir de uma lógica de gestão rigorosa, com definição clara de missão, territórios e horários de atuação. Os agentes atuam com uso de câmeras corporais e monitoramento por GPS, permitindo acompanhamento em tempo real e auditoria das ações. “É uma tropa bem selecionada, bem treinada, bem armada, bem remunerada e, principalmente, bem orientada e monitorada, integrada às polícias já existentes”, destacou o secretário.

A definição dos territórios de atuação também segue lógica analítica: cerca de 50% dos roubos e furtos da cidade se concentram em apenas 5% do território, o que orienta a priorização de áreas e microterritórios específicos.

CompStat Rio: inovação a partir de referências internacionais

Já o CompStat Rio funciona como o núcleo estratégico do sistema municipal de segurança – responsável por integrar dados, coordenar ações e garantir accountability entre os órgãos envolvidos.

Inspirado no modelo de Nova York, o método foi adaptado à realidade carioca e ampliado para incorporar uma dimensão urbana mais sofisticada. As reuniões são conduzidas pelo prefeito e estruturadas a partir de diagnósticos territoriais detalhados, com análise de dados, definição de prioridades e cobrança sistemática de resultados. 

Um dos diferenciais do modelo é a incorporação dos chamados “fatores de incidência criminal” – cerca de 20 variáveis urbanas que influenciam a ocorrência de crimes, como iluminação, uso do espaço público, presença de transporte, desordem urbana e ocupações irregulares. Essa abordagem amplia o escopo da segurança pública, integrando diferentes áreas da gestão municipal na solução dos problemas.

O apoio da Comunitas na agenda de segurança pública

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Ainda durante o encontro, o deputado federal Pedro Paulo fez uma intervenção que ampliou o horizonte da discussão. O parlamentar resgatou o histórico da atuação da Comunitas na formulação de políticas públicas de segurança – posicionando-a como uma articuladora importante também no campo legislativo.

O deputado relembrou que, a partir do mesmo programa de formação internacional mencionado anteriormente, foi estruturada uma parceria para análise qualificada da produção legislativa nacional na área de segurança pública. O trabalho resultou na avaliação de mais de 3 mil projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional, conduzida com coordenação técnica do professor Leandro Piquet, da USP, um dos principais especialistas do país no tema.

“Construímos um grupo de conselheiros, com nomes expoentes da segurança pública de todo o Brasil, que nos ajudaram a estruturar um conjunto consistente de propostas. Quando se fala em segurança, muitas vezes aparecem apenas respostas imediatas – endurecimento de penas, redução da maioridade -, mas não propostas que olhem para os fundamentos do problema”, afirmou.

O deputado também destacou o apoio da Comunitas em sua atuação como relator da reforma administrativa, reforçando o papel da organização como parceira técnica na construção de soluções estruturantes para o Estado brasileiro.

Para ele, a experiência acumulada pela Comunitas – tanto no apoio a governos estaduais quanto municipais – a credencia a contribuir para qualificar o debate público em segurança nos próximos ciclos políticos, sempre com base em evidências e construção técnica.

Nesse sentido, a presidente da Comunitas, Regina Esteves, reforçou o propósito institucional da organização: “Ouvir esses resultados é muito gratificante. Nosso papel é disseminar e inspirar boas experiências – como a CIVITAS e o CompStat – para que elas possam se replicar pelo país, sempre com base em evidências, e não em respostas imediatistas”.

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