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Gestores públicos e privados apresentam destaques da COP-28 para rede Comunitas em evento online

O encontro, que foi realizado em parceria com o Climate Hub | Rio de Janeiro, reuniu especialistas para discutir sobre a urgência climática, a liderança brasileira em energias renováveis, a centralidade das cidades na redução de emissões e a necessidade de adaptação urbana frente às mudanças climáticas

Crédito da Imagem: Acervo Comunitas

Com o fim de mais uma edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 28), a Comunitas, em parceria com o Climate Hub | Rio de Janeiro, laboratório de inovação climática da Universidade de Columbia no Brasil, promoveu, na tarde de ontem (13), um encontro online para discutir os Destaques e Perspectivas da COP-28 para o Setor Energético. 

O encontro reuniu líderes públicos, acadêmicos e do setor privado para discutir questões relevantes da transição energética, com o objetivo de analisar os principais resultados, insights e tendências do setor energético pós-conferência Além disso, o webinário serviu como plataforma para discutir os desafios e oportunidades da mudança climática no Brasil, em que foram apresentadas propostas que podem ajudar o país a liderar a transição energética e enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

O debate destacou que a mudança climática e a transição energética são desafios globais que exigem a cooperação de todos os países. Um relatório, divulgado ano passado pelo IPCC, indica que o mundo está caminhando para um aumento da temperatura global de 2,7°C, o que teria consequências catastróficas para o planeta. Portanto, é necessário pensar em mecanismos que possam contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, sobretudo na queima de combustível fóssil proveniente do setor industrial e do transporte urbano – de cargas e pessoas

Cinco palestrantes de diversos setores da sociedade participaram do encontro: 

  • Representando o setor público, os secretários de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Minas Gerais e do Pará, Marília Melo e Mauro O’ de Almeida, respectivamente; 
  • Representando a academia, o Presidente do Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Sérgio Besserman;
  • Representando o setor privado, a Vice-presidente da Neoenergia, Solange Ribeiro, e a Coordenadora de Inovação e Conhecimento no Instituto Votorantim e líder do projeto de Índice de Vulnerabilidade Climática dos Municípios (IVCM), Natália Cerri.

O debate contou com a mediação da Oficial de Desenvolvimento Multilateral no Rocky Mountain Institute, Eduarda Zohgbi.  

Visão geral do debate

O Brasil tem avançado na transição energética, com uma matriz elétrica que é majoritariamente limpa. No entanto, ainda existem desafios a serem superados, dentre os quais pode-se destacar a forte dependência de energia hidrelétrica. As crises hídricas dos últimos anos demonstraram que o país precisa diversificar sua matriz energética para garantir sua segurança energética.

Também foi ressaltado o potencial do Brasil para liderar a transição energética global, sendo responsável pela produção de grandes quantidades de energias renováveis, como eólica, solar e biomassa. Contudo, para efetivar esse protagonismo, são necessários investimentos em infraestrutura, qualificação de pessoal e tecnologia. Além disso, o debate abordou a importância de uma transição justa, assegurando a proteção dos trabalhadores e comunidades mais vulneráveis, com investimentos em qualificação profissional e programas de apoio social, permitindo que essas pessoas se adaptem às mudanças.

Outro tema importante discutido foi o papel dos entes subnacionais na mitigação das mudanças climáticas. As cidades são grandes emissores de GEE, sendo responsáveis por cerca de 75% das emissões globais. Por isso é preciso investir em políticas de mobilidade urbana sustentável, eficiência energética e reflorestamento urbano para reduzir a pegada de carbono nos municípios.

Visão geral dos painelistas

Marília Melo – A Secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais enfatizou a busca por redução dos combustíveis fósseis em seu Estado, destacando o uso de biocombustíveis, como a macaúba, para o setor de aviação. Ela também ressaltou os avanços no uso de etanol para veículos individuais, mas apontou o desafio no transporte público, defendendo a eletrificação da frota e a expansão do uso de metrô e trem como fundamentais.

Além disso, Marília destacou iniciativas inovadoras, como um projeto piloto de reutilização de resíduos urbanos para gerar energia na indústria de cimento, ressaltando a importância da iniciativa para o Estado. Além disso, ela salientou a necessidade de discutir a destinação apropriada dos resíduos urbanos e impulsionar o uso de biogás e biometano, citando fazendas autossustentáveis que utilizam biometano como fonte de energia alternativa

Ela também trouxe seu olhar acerca de sua participação da COP-28. “Cada país tem a sua realidade e seus desafios e não podemos entrar em discussões que não condizem com a nossa realidade. Nós somos o segundo maior emissor de gases do efeito estufa do país e esse caminho que estamos seguindo tem se mostrado muito eficaz na redução das nossas emissões”, contou ela. 

Mauro O’ de Almeida – O cerne das discussões na COP-28 girou em torno da transição energética, sendo que a COP-30, em Belém, será realmente focada na temática verde e no desenvolvimento humano.

Ao abordar a questão da energia hidrelétrica e as dificuldades enfrentadas durante crises hídricas, o secretário destacou a necessidade de buscar soluções inovadoras, considerando a impossibilidade de construir mais hidrelétricas em áreas inatingíveis ou já pressionadas pelo desmatamento. Ele também ressaltou a importância de incluir a floresta na agenda, propondo sua utilização para impulsionar o desenvolvimento social e reduzir a pegada de carbono.

Além disso, ele enfatizou a falta de acesso à energia elétrica em 25% da área rural da Amazônia, destacando a vulnerabilidade dessas comunidades e a necessidade de priorizar as pessoas ao buscar soluções energéticas inclusivas e transformadoras.

Almeida compartilhou suas reflexões pessoais após a participação na COP em Dubai, expressando uma sensação de alívio por deixar para trás o ambiente de opulência. “O poder econômico, embora influente, não significa, necessariamente, justiça social”, explicou ele.

Sérgio Besserman – O pesquisador compartilhou uma perspectiva preocupante sobre a mudança climática, citando o relatório do IPCC que evidenciou o aumento da temperatura global e a antecipação de eventos climáticos, previstos para daqui a 15 anos, ocorrendo precocemente. Ele também destacou a urgência de uma agenda global única: a redução das emissões de GEE em 43%, considerando a gravidade da situação. 

Ao abordar a questão energética, Besserman ressaltou a matriz energética limpa do Brasil, propondo a exploração de fontes nucleares em meio às crises hídricas, visando preservar os reservatórios de água. Além disso, ele alertou para a necessidade de recarregar as baterias de transporte urbano eletrificado com fontes renováveis, destacando a eficiência e o silêncio dos motores elétricos, e apontou a importância de considerar soluções sustentáveis para o transporte de carga e aviação.

“O Brasil é o único país do mundo que tem o potencial de ganhar competitividade global na corrida para a transição energética. Podemos ser campeões do mundo em biomassa”, declarou Besserman. 

Solange Ribeiro – A representante do setor energético destacou que, embora o Brasil não possa agir isoladamente, precisa desempenhar um papel ativo na transição energética. Ao abordar o cenário energético brasileiro, reconheceu a liderança do país em comparação com o resto do mundo, com o setor empresarial demonstrando uma postura ativa na compreensão e implementação de ações necessárias para garantir sua própria continuidade a longo prazo

Ela também ressaltou o potencial transformador do hidrogênio verde, especialmente no contexto de descarbonização de setores desafiadores, como a indústria e o transporte urbano. Além disso, ressaltou que a produção do chamado ‘combustível do futuro’ não só contribui para a sustentabilidade ambiental, mas também pode ser estrategicamente aproveitada para agregar valor aos produtos brasileiros no mercado internacional.

Solange finalizou sua participação no encontro com dois questionamentos importantes com relação aos debates da COP-28. “O que eu vi muito nessa COP foi o debate do que é bom para o mundo, mas também para as pessoas. Eu vi o Brasil se posicionar muito enquanto key player porque todo mundo quer falar de Amazônia. Mas como a gente transforma isso em ação? Como transformar a questão da sustentabilidade em benefício social?”, perguntou ela. 

Natália Cerri – Ela destacou a centralidade da agenda climática no cenário geopolítico global, enfatizando o avanço significativo do Brasil nesse contexto. Além disso, ressaltou a importância de abordar a transição para uma economia baseada em energias renováveis de forma justa, considerando o impacto direto na geração de empregos. 

A palestrante também abordou a questão das emissões urbanas, apontando que as cidades representam cerca de 75% das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Outro ponto destacado por Cerri foi a necessidade de avaliar o Índice de Vulnerabilidade Climática das Cidades, visando compreender os riscos associados às mudanças climáticas, enfatizando a importância da adaptação e resiliência urbana

O que é o Índice de Vulnerabilidade Climática dos Municípios?

O Índice de Vulnerabilidade Climática dos Municípios (IVCM), desenvolvido pelo Instituto Votorantim em parceria com a CBA e o Instituto Itaúsa, foi lançado em 29 de novembro, visando avaliar a vulnerabilidade de cidades brasileiras a eventos climáticos extremos. 

A ferramenta atribui notas de 0 a 100 com base em seis fatores, incluindo inundações, deslizamentos e eventos hídricos, considerando ameaças, exposição da população e capacidade de adaptação. Com abordagem inclusiva, a ferramenta busca orientar políticas públicas para tornar as cidades mais resilientes. 

Saiba mais: Veja as iniciativas que a Comunitas apoiou na temática de mudanças climáticas e economia verde em 2023!

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