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Sérgio Besserman: “O ano de 2023 será conhecido como o ano em que descobrimos a extraordinária gravidade da crise climática”

Primeira aula da trilha de Mudanças Climáticas e Energia abordou a urgência de reduzir emissões e destacou desafios globais, enfocando estratégias de adaptação urbana e a necessidade de investimentos privados para enfrentar os impactos da crise climática

 

Na foto, vemos Sérgio Besserman sentado em uma cadeira. Ele é um homem branco, de barba, usa óculos e camisa branca.

Crédito da Imagem: O Globo

Cerca de 40 pessoas participaram, no final da tarde de ontem (16), da primeira aula ao vivo da formação “Mudanças Climáticas e Energia”, ministrada pelo professor e presidente do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Sérgio Besserman. O encontro marcou o início da trilha, fazendo uma introdução ao tema das mudanças climáticas.

O curso é realizado a partir de uma parceria entre a Comunitas e com o Climate Hub | Rio, laboratório de clima do Columbia Global Centers | Rio com o objetivo de capacitar gestores públicos para liderar a transição energética, um processo essencial na mitigação das mudanças climáticas.

A diretora de Comunicação, Conhecimento e Inovação da Comunitas, Dayane Reis, explicou que a ideia é complementar a formação de gestores públicos, oferecendo capacitação sobre mudanças climáticas e o setor energético, buscando ampliar a compreensão das causas e consequências das mudanças climáticas, o cenário de transição energética, perspectivas futuras e fontes de energia. Mas, sobretudo, visa construir uma rede de lideranças fortalecidas. “Nosso objetivo é formar uma rede de atuação de longo prazo, promovendo a troca de experiências entre os participantes para transformar as políticas públicas no país”.

Já a líder do Climate Hub, braço de clima do Columbia Global Centers, Camila Pontual, contou que o debate sobre a questão energética é de extrema importância, visto que o setor energético responde por boa parte das emissões globais de gases do efeito estufa, mas, também pode ser o catalisador da transformação dessas emissões. “Por isso, é necessário entender melhor tanto as mudanças climáticas como também todo potencial e desafios que a transição energética pode envolver”.

O tempo de agir é agora!

Em sua aula, Sérgio Besserman destacou a crescente gravidade da crise climática, abordando a necessidade de uma ação imediata. O professor do módulo “Introdução às Mudanças Climáticas” revisitou eventos-chave do debate climático mundial, como a Eco-92, as COPs anuais, além da assinatura de tratados como o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris, como esforços coletivos para enfrentar a crise climática. No entanto, mesmo com os acordos estabelecendo metas de redução, a emissão de gases de efeito estufa (GEE) atingiu níveis recordes em 2023, superando os esforços da COP de 2020.

“Daqui a 15, 20 anos, o mundo não vai lembrar da guerra e dos conflitos atuais. O ano de 2023 será conhecido como o ano em que descobrimos a extraordinária gravidade da crise climática”, declarou ele. 

Ao longo do encontro, Sérgio salientou que a crise climática transcende a esfera ambiental, despontando como uma ameaça civilizacional que afeta diretamente áreas cruciais, como agricultura e saúde. O aquecimento global tem um impacto devastador sobre o planeta, com consequências que vão desde a elevação do nível do mar até a ameaça à produtividade agrícola e, consequentemente, à fome. Porém, esses impactos não são distribuídos de forma igualitária, afetando mais os países pobres e as populações vulneráveis – o que deu origem ao conceito de justiça climática

Besserman enfatizou a necessidade urgente de tomar medidas diante dos desafios inéditos que a humanidade já começa a enfrentar. Ele destacou que, em contraste com abordagens procrastinadas, a crise climática já vem gerando impactos visíveis nesta geração. Além disso, ele sublinhou a complexidade da situação ao contrastar as dificuldades em reduzir as emissões de gases de efeito estufa com a importância de abordar questões cruciais, como a transição energética.

Neste sentido, ele também abordou a relevância de se criar estratégias de adaptação climática em áreas urbanas, evidenciando o atraso generalizado na implementação dessas iniciativas em nível global. Durante sua exposição, ele trouxe à tona os desafios financeiros, suscitando questões sobre como viabilizar recursos para custear as ações necessárias. Além disso, ele enfatizou a importância de envolver atores do setor privado nesse processo, lançando luz sobre a importância de parcerias e investimentos para impulsionar efetivamente as mudanças.

Por fim, o professor Sérgio alertou que não há mais tempo para uma transição suave e destacou os desafios relacionados à exploração de petróleo e sua escassez iminente. Ele  também ressaltou a magnitude das escolhas que a humanidade enfrentará nas próximas décadas, equiparando-as a momentos cruciais da história humana, e sublinhando que cada indivíduo desempenha um papel interconectado nesse cenário crítico.

Sobre a Formação 

Voltado para lideranças públicas que atuam na área energética, o curso  terá 12h de conteúdo programático distribuídas ao longo de quatro módulos, que abordarão questões essenciais para o tema, como introdução às mudanças climáticas, aproveitamento energético, transição energética e políticas públicas para investimento em descarbonização energética. 

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