Retrospectiva 2025: Como o BISC impulsionou o investimento social corporativo no Brasil
A atuação do BISC neste ano reforçou a inteligência social, ampliou colaborações e promoveu práticas de ISC mais estratégicas e alinhadas às demandas sociais e corporativas

Ao longo de 18 anos do Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC), a Comunitas vem reforçando o seu objetivo de apoiar a gestão e qualificação do ISC, produzindo conhecimento tanto para o setor privado quanto para a sociedade civil, propondo indicadores de monitoramento, articulando lideranças, referenciando boas práticas e identificando tendências.
Em 2025, o BISC deu continuidade a todo o trabalho feito nos últimos anos e ao seu objetivo. Ele ampliou o engajamento da Rede, promoveu debates estratégicos sobre cadeias produtivas e reforma tributária, apoiou arranjos colaborativos e coinvestimentos entre empresas, marcou presença em eventos internacionais e nacionais, contribuiu para produtos de parceiros e fortaleceu a produção de conhecimento com novas publicações e briefs temáticos. Todas essas iniciativas reforçam o papel do BISC como referência em inteligência social, conectando recursos, empresas e organizações da sociedade civil para gerar maior impacto social no país.
A seguir, confira mais sobre essas principais ações realizadas durante este ano:
1 – Fortalecimento e engajamento da Rede BISC
O BISC consolidou-se como uma rede ativa e estratégica, formada atualmente por 20grupos empresariais – e em expansão – que representam mais de 300 unidades de negócios, comprometidas com a transformação social no Brasil. A participação ativa dessas organizações, através do compartilhamento de seus dados, experiências, desafios e aprendizados, fortalece, ano após ano, a Rede BISC como um espaço de confiança de construção coletiva, cuja missão é impulsionar práticas sociais intencionais, estratégicas e alinhadas às reais necessidades do país e do ambiente econômico de negócios.
O BISC explora uma ampla gama de temáticas de interesse da Rede, incorporando assuntos que sejam relevantes à gestão e qualificação do investimento social corporativo e da agenda pública. Em 2025, foram destaque:
Engajamento social das cadeias produtivas

Em fevereiro, a Comunitas realizou o primeiro Grupo de Debates do ano com empresas parceiras da Rede BISC para discutir caminhos para o engajamento social das cadeias de valor. O encontro reuniu cerca de 25 organizações e apresentou estratégias adotadas pela Vale e Santander, mostrando como fornecedores, clientes e estruturas de negócio podem ampliar o alcance e a efetividade das ações sociais. Casos como o Programa Partilhar (Vale) e Amigo de Valor, Parceiro do Idoso e Prospera (Santander) evidenciaram como a integração de critérios sociais na cadeia produtiva pode fortalecer comunidades, impulsionar inclusão socioeconômica e potencializar o desenvolvimento territorial.
O debate também identificou desafios para implementar a estratégia de forma perene e estratégica, como a resistência inicial de fornecedores e divergências culturais entre organizações e/ou áreas da empresa. A Rede BISC apontou a necessidade de apoio técnico, mecanismos de monitoramento mais robustos e incentivos que tornem práticas sociais e sustentáveis mais atrativas. Apesar dos desafios, iniciativas já em andamento mostram que o engajamento ativo da cadeia produtiva pode gerar impactos significativos e contribuir para modelos de negócios mais sustentáveis.
Impactos da reforma tributária para o investimento social

Em agosto, o BISC reuniu empresas da Rede e outras convidadas para discutir os impactos da Reforma Tributária no investimento social corporativo e no funcionamento das organizações da sociedade civil. Ao longo do encontro, especialistas explicaram que a reforma criará dois novos tributos no modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado): o IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, que substituirá ICMS, ISS e IPI; e a CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, que substituirá PIS, COFINS e IPI. Esses impostos serão cobrados de forma não cumulativa ao longo da cadeia e incidirão sobre qualquer operação onerosa, mesmo em contratos que hoje não geram tributação. A transição ocorrerá entre 2026 e 2032, exigindo adaptação imediata das OSCs para garantir sustentabilidade financeira, segurança jurídica e adequação à necessidade de emissão de notas fiscais e revisão de contratos.
Outro ponto bastante discutido foi o impacto da reforma sobre patrocínios, doações e a relação com fornecedores, especialmente os do Simples Nacional, que passarão a ser menos competitivos por não permitirem o aproveitamento de créditos tributários. Com o fim gradual de incentivos estaduais e o aumento do custo operacional – já que entidades imunes continuarão sem pagar IBS/CBS nas vendas, mas pagarão esses tributos nas compras, sem direito a créditos -, áreas de investimento social e OSCs precisarão revisar seus modelos de gestão, estratégias de captação e critérios de compra. O encontro reforçou que a mudança representa uma transformação estrutural na lógica tributária do terceiro setor e demanda planejamento desde já.
Estratégias de coinvestimento e arranjos colaborativos entre empresas para o ISC

Em setembro, a Comunitas reuniu empresas, institutos e fundações parceiras da Rede BISC para debater estratégias de coinvestimento e colaboração no investimento social privado. O encontro destacou que parcerias intersetoriais são essenciais para ampliar escala, eficiência e impacto, embora envolvam desafios como governança compartilhada, alinhamento de expectativas, diferenças operacionais e conciliação de marcas. Casos apresentados pelos participantes mostraram como arranjos colaborativos – inclusive entre concorrentes – podem gerar sinergias e fortalecer iniciativas sociais, especialmente quando há uma gestão estruturada e intermediários capazes de coordenar múltiplos atores.
O debate mostrou que o foco deve ir além do recurso financeiro. O verdadeiro objetivo é criar um ecossistema mais forte, com organizações sociais impactantes e autônomas. Para isso, são necessárias ações concretas, como atrair diversos apoiadores, capacitar as OSCs e unir setores em torno de causas pré-competitivas. Apesar das dificuldades, a conclusão foi de que só a colaboração estratégica permitirá enfrentar os grandes desafios atuais.
2 – Presença internacional
Em 2025, o BISC marcou presença em 2 eventos internacionais, fortalecendo ainda mais seu posicionamento como uma das principais referências em investimento social corporativo do Brasil. Participar desses encontros globais permitiu ao BISC apresentar a experiência brasileira, trocar aprendizados com instituições de outros países e acompanhar de perto tendências que estão moldando o futuro do setor.
Essa atuação internacional amplia a visibilidade da Rede BISC e contribui diretamente para qualificar o debate no Brasil, trazendo novas perspectivas, metodologias e oportunidades de colaboração para as empresas participantes. Além disso, reforça o compromisso do BISC em manter o investimento social corporativo brasileiro conectado às agendas globais, elevando o nível de maturidade e alinhamento das práticas adotadas pelas organizações que integram a Rede.
Webinário da Trialogue
O webinário promovido pela Trialogue (consultoria sul-africana especializada em responsabilidade corporativa, com mais de duas décadas de experiência no setor) reuniu, em fevereiro, especialistas do Brasil, África do Sul e Índia para discutir as principais tendências do ISC em 2025, especialmente em um contexto marcado por mudanças políticas, econômicas e tecnológicas. O debate destacou a necessidade de inovação, colaboração multissetorial e uso estratégico de tecnologia para ampliar o impacto social, reforçando que empresas, governos e organizações da sociedade civil precisam atuar de forma articulada para enfrentar desafios complexos.
Representando o Brasil, a diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas, Patricia Loyola, apresentou a perspectiva nacional, enfatizando o modelo híbrido adotado pelas empresas entre apoio a comunidades e o fortalecimento de políticas públicas e o papel crescente da inteligência artificial no setor de impacto social. Os painelistas internacionais compartilharam desafios semelhantes, como a necessidade de fortalecer a sustentabilidade das organizações sociais, desenvolver modelos de financiamento inovadores e promover parcerias estratégicas capazes de gerar impacto sistêmico.
Comunitas apresenta o Ciclo para o Enfrentamento das Emergências Climáticas para organizações do CECP

Em março, a Comunitas apresentou o Ciclo para o Enfrentamento das Emergências Climáticas ao CECP e a organizações internacionais, ferramenta que orienta empresas e governos a atuarem de forma integrada diante de desastres climáticos. O encontro destacou a necessidade de fortalecer a resiliência comunitária e alinhar estratégias empresariais às políticas públicas, abordando desde a resposta imediata até ações de adaptação, prevenção e preparação. O modelo foi bem recebido e gerou interesse em aprofundar trocas internacionais para comparar práticas adotadas em diferentes países.
A discussão reforçou que o setor privado tem papel estratégico na agenda climática, indo além da atuação emergencial e investindo em soluções estruturantes, infraestrutura resiliente e colaboração com governos e sociedade civil. A apresentação também reforçou a parceria histórica entre Comunitas e CECP, que contribui para o alinhamento internacional das práticas do BISC e consolida a organização como referência latino-americana em investimento social corporativo.
Saiba mais: como ler e aplicar o ciclo de enfrentamento às emergências climáticas
3 – Participação em eventos
O BISC também ampliou sua presença em espaços estratégicos de diálogo ao participar de eventos promovidos por parceiros da Rede e do setor social. Esses encontros reuniram empresas, organizações da sociedade civil e especialistas de diferentes áreas, fortalecendo a troca de experiências e aproximando o BISC de agendas que impactam diretamente o investimento social corporativo. A participação ativa nesses espaços reforçou o papel do BISC como articulador e referência técnica, contribuindo para debates qualificados sobre tendências, desafios e oportunidades do setor.
Além de ampliar a visibilidade da pesquisa, esses eventos permitiram ao BISC compartilhar aprendizados, apresentar dados relevantes e acompanhar de perto movimentos emergentes em temas como impacto social, governança compartilhada, sustentabilidade e colaboração multissetorial.
Confira as participações do BISC em eventos de parceiros neste ano:
Educação e resiliência climática (B3 Social)

A Comunitas participou, em março, de um evento da B3 Social que reuniu mais de 70 organizações para celebrar cinco anos de atuação da entidade e reforçar o compromisso da instituição com a educação pública. O encontro apresentou os investimentos da B3 Social em alfabetização, matemática, formação para a vida e esporte-educação, destacando também o papel do mercado financeiro na agenda de impacto social.
Durante o evento, a diretora de Gestão e Investimento Social da Comunitas, Patricia Loyola, mediou um painel sobre educação resiliente, que discutiu como reduzir os efeitos de eventos climáticos e da pandemia na aprendizagem e reforçou a importância da colaboração entre governos, sociedade civil e empresas para fortalecer a infraestrutura e a educação integral no país.
Empregabilidade jovem no Brasil (CIEE)

A Comunitas participou, em abril, de um encontro promovido pelo CIEE que reuniu governo, empresas e organizações da sociedade civil para discutir os desafios da empregabilidade jovem em um contexto de rápidas transformações impulsionadas pela inteligência artificial. O evento apresentou dados atualizados sobre o mercado de trabalho juvenil, destacando desigualdades persistentes, riscos da automação e a necessidade de requalificar programas de aprendizagem e estágio.
Na ocasião, a Comunitas apresentou dados da pesquisa BISC, evidenciando o protagonismo do investimento social corporativo em iniciativas de empregabilidade, capacitação e geração de renda. Lideranças empresariais reforçaram que a inclusão produtiva demanda ações de longo prazo, alinhadas às necessidades dos territórios e do mercado, além de maior mensuração de impacto e colaboração intersetorial para preparar os jovens para o futuro do trabalho.
Toque de campainha (B3 Social)

Em outubro, a Comunitas participou do primeiro Toque de Campainha pela Filantropia na Bolsa de Valores brasileira (B3), em celebração ao Dia Nacional da Filantropia. O encontro reuniu empresários e organizações do terceiro setor para reforçar a importância do investimento social privado e da cultura de doação no desenvolvimento do país. O gesto simbólico destacou o papel estratégico da filantropia como força complementar ao mercado na promoção de impacto social.
Ao longo do evento, lideranças do setor ressaltaram que a filantropia contemporânea deve ser estruturada, transparente e integrada à estratégia de negócio, capaz de reduzir desigualdades, fortalecer territórios e apoiar políticas públicas. A discussão reforçou que o investimento social privado não é apenas uma ação solidária, mas uma inteligência social que amplia o alcance das empresas e contribui para um crescimento mais sustentável e inclusivo.
Café IDIS: Filantropia em Debate

O Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) realizou, em novembro, a primeira edição do Café IDIS: Filantropia em Debate, reunindo cerca de 35 lideranças para discutir caminhos para tornar o investimento social privado mais estratégico no Brasil. O encontro reforçou a necessidade de ampliar recursos, fortalecer a cultura de doação e enfrentar desafios socioambientais com maior profundidade.
A programação apresentou diagnósticos e tendências para o campo, incluindo um estudo da Fundação Rockefeller sobre o potencial de mobilização de recursos na América Latina. A Comunitas também compartilhou a pesquisa Reflexões e Tendências do ISC (sobre a qual vamos falar mais adiante), que evidencia como o baixo letramento social dentro das empresas ainda limita o avanço do investimento social corporativo e a integração entre agenda social e estratégia de negócios.
Educaweek
Em outubro, o coordenador do BISC, João Morais, esteve no Educaweek 2025, em painel sobre a sustentabilidade e perenidade da educação social, dialogando com demais atores da sociedade civil sobre os recursos e práticas destinadas à educação, movimentações recentes do setor e como conferir perenidade e valor estratégico aos programas privados de apoio à educação.
Saúde Talks Firjan
Em dezembro, a equipe do BISC esteve presente na Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) no evento Saúde Talks 2025, fórum que debate sobre a construção de uma indústria mais saudável. João Morais participou do painel “Saúde no Pilar Social”, apresentando como a saúde se conecta diretamente ao eixo Social do ESG e ao investimento social corporativo e discutindo o papel das empresas na redução das desigualdades e na promoção da qualidade de vida em seus territórios de atuação.
4 – Contribuições a produtos de parceiros
O BISC atua como uma ferramenta estratégica para apoiar projetos de parceiros, oferecendo dados, análises e orientações que fortalecem a atuação das empresas e organizações sociais. Por meio do monitoramento do investimento social corporativo, o BISC ajuda a identificar oportunidades de colaboração, otimizar recursos e potencializar o impacto das iniciativas, promovendo maior eficiência e alinhamento com objetivos sociais e empresariais.
Neste ano, o BISC contribuiu para o desenvolvimento de2 produtos de parceiros, disponibilizados publicamente ao setor:
Painel da Lei Rouanet (Prosas)

A Comunitas apoiou o lançamento do Painel da Rouanet, uma plataforma gratuita que organiza e disponibiliza dados sobre os recursos incentivados pela Lei Rouanet, principal mecanismo de fomento à cultura no Brasil. A ferramenta permite acompanhar a origem e o destino dos investimentos, oferecendo informações em tempo real para pesquisadores, produtores culturais, financiadores e cidadãos, com o objetivo de aumentar a transparência, qualificar os investimentos e engajar o debate público sobre política cultural.
O BISC contribuiu para o projeto trazendo inteligência e contexto à leitura dos dados, fortalecendo o uso estratégico dos recursos incentivados. A plataforma também incentiva o setor privado a investir de forma mais inclusiva e descentralizada, além de abrir oportunidades para coinvestimentos e parcerias entre empresas, institutos e organizações locais, ampliando o impacto social das iniciativas culturais.
Panorama do ISP na Economia Circular (ArcelorMittal)

Em novembro, foi lançada a pesquisa “Panorama do ISP na Economia Circular”, uma iniciativa da Fundação ArcelorMittal com execução da Ago Social. O BISC apoiou a etapa de grupo focal da pesquisa, mobilizando lideranças empresariais da Rede BISC para um diálogo qualificado sobre o tema. Também estivemos no lançamento da estratégia para a liderança corporativa da ArcelorMittal, com a participação de Patrícia Loyola, fortalecendo esse marco importante.
O BISC destacou o grande potencial da economia circular para integrar a inteligência social do investimento privado às cadeias produtivas, gerando valor compartilhado. O estudo ressalta que a gestão de resíduos e a circularidade estão diretamente relacionadas a populações vulneráveis, representando um tema material para diversos setores da economia. Isso oferece uma oportunidade clara para mobilizar capital privado com a intencionalidade de gerar impacto positivo e promover a transformação social necessária no Brasil.
5 – Produção de conhecimento
O BISC tem desempenhado um papel estratégico na produção de produtos de conhecimento, oferecendo pesquisas, estudos e análises que fortalecem a tomada de decisão de empresas, institutos e organizações do terceiro setor. Ao sistematizar dados e experiências, o BISC visa fornecer informações relevantes e promover transparência, aprendizado e inspiração para toda a rede de parceiros. A produção de conhecimento se torna, assim, uma ferramenta essencial para potencializar o impacto social, orientar políticas públicas e fortalecer a colaboração entre setor privado, sociedade civil e governos.
Confira os materiais que o BISC lançou este ano:
Pesquisa Reflexões e Tendências do ISC

Em maio, a Comunitas lançou a nova publicação do BISC, “Reflexões e Tendências do ISC – Caminhos para o engajamento da alta liderança empresarial no investimento social corporativo”, que apresenta os resultados de um estudo qualitativo com lideranças da Rede BISC. O material identifica desafios e oportunidades para fortalecer o engajamento da alta liderança, mostrando que o alinhamento entre ISC e estratégia corporativa é essencial para garantir impacto social de longo prazo e integração com agendas de ESG, sustentabilidade e valor compartilhado.
O lançamento do material contou com um webinário que debateu práticas e recomendações para aproximar o ISC das decisões estratégicas da empresa, destacando a importância de governança robusta, planos plurianuais e engajamento consistente da liderança. A publicação reforça o papel do BISC como plataforma de inteligência coletiva, oferecendo dados e análises que auxiliam empresas, institutos e fundações a consolidarem o investimento social como parte integrante de sua estratégia de negócio.
Briefs temáticos

A Comunitas lançou, em setembro, uma nova linha de produtos de conhecimento do BISC: os briefs temáticos, que sistematizam debates da Rede BISC sobre temas estratégicos do investimento social corporativo. O objetivo dessas publicações é transformar as discussões internas da rede em referência para todo o setor, oferecendo informações, tendências e soluções práticas que auxiliem empresas e organizações a tomar decisões mais estratégicas e alinhadas aos desafios atuais do ISC.
O primeiro brief, “Engajamento Social das Cadeias de Valor”, aborda como integrar o investimento social às relações com fornecedores e estruturas de negócio para gerar valor compartilhado e mitigar riscos socioambientais. O material evidencia que menos da metade das empresas da Rede BISC possuem programas estruturados nessa área e apresenta boas práticas de engajamento, como iniciativas de microcrédito, educação financeira e integração de critérios sociais na seleção de fornecedores.
O segundo brief, “Impactos da Reforma Tributária na Atuação Social das Empresas”, analisa os efeitos das mudanças de tributação sobre o ISC e as organizações da sociedade civil. O material detalha mudanças na tributação de doações, incentivos fiscais e obrigações de OSCs, oferecendo recomendações estratégicas para que empresas e organizações se adaptem, garantam sustentabilidade financeira e mantenham a continuidade de seus projetos de impacto social.
Pesquisa BISC 2025
Em sua 18ª edição, o BISC apresenta um panorama detalhado do investimento social corporativo (ISC) no Brasil, oferecendo parâmetros estratégicos para empresas, institutos e fundações corporativas planejarem suas ações sociais. O estudo analisa evolução dos recursos, distribuição setorial e temática, cobertura territorial e parcerias com organizações da sociedade civil, além de identificar oportunidades de engajamento coletivo e coinvestimento para potencializar o impacto social. A publicação destaca a consolidação do ISC como instrumento estratégico, com crescimento robusto e diversificação de investimentos, conectando os recursos ao propósito das empresas e às demandas sociais.
Destaques do BISC 2025:
- Volume total de ISC em 2024: R$ 6,2 bilhões (crescimento real de 19,4% em relação a 2023).
- Recursos próprios das organizações: R$ 4,79 bilhões (alta de 35% na amostra fixa).
- Recursos incentivados: R$ 1,42 bilhão, representando 23% do ISC total.
- Investimento direcionado a OSCs: R$ 745 milhões para 8.353 organizações.
- Cobertura territorial: presença em 4.178 municípios, ou 75% das cidades brasileiras.
- Coinvestimento: 77% das empresas participam de iniciativas conjuntas com outras organizações.
- Temas prioritários: jovens, empregabilidade e inclusão produtiva; apoio emergencial em desastres; educação com destaque no setor de serviços.
- Diferença setorial: ISC das empresas industriais mais diversificado; setor de serviços mais concentrado em temas específicos.
Publicação de artigo na revista Stanford Social Innovation Review Brasil

A Stanford Social Innovation Review Brasil (SSIR Brasil) publicou o artigo “O papel das empresas na adaptação climática”, assinado pelo coordenador do BISC, João Morais, pela coordenadora-geral de Comunicação, Conhecimento e Inovação da Comunitas, Caroline Cotta, e pela cientista política, Antonia Lo Prete, que destaca como o ISC pode fortalecer a resiliência de territórios e comunidades no Brasil diante de eventos climáticos extremos. O texto enfatiza a necessidade de que a adaptação climática se torne um eixo central das estratégias corporativas, conectando capital privado, sociedade civil e políticas públicas para gerar impacto social e proteger negócios.
O artigo também aponta que, apesar do potencial de retorno de até US$ 10 para cada dólar investido, a participação de empresas em ações estruturantes de adaptação ainda é limitada, sendo a atuação majoritariamente emergencial e pontual. A publicação reforça a importância de estratégias de longo prazo e colaboração intersetorial para que as empresas contribuam efetivamente para a resiliência climática e a transformação social.
Deixe seu comentário!